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Por mais um ano, mulheres ficam sem Nobel de ciência

Homens ganharam 97% das premiações em campos científicos desde 1901

Anúncio dos ganhadores do Nobel de Química esta manhã, em Estocolmo (Suécia).
Anúncio dos ganhadores do Nobel de Química esta manhã, em Estocolmo (Suécia).

Por mais um ano, nenhuma mulher foi premiada com um prêmio Nobel científico. Três homens ganharam o de Medicina na segunda-feira, outros três receberam o de Física na terça, e finalmente mais três foram anunciados no de Química, nesta quarta. Desde 1901, quando o Nobel foi instituído, as mulheres foram premiadas em 18 ocasiões, e os homens em 581. Elas receberam apenas 3% dos prêmios Nobel de ciências.

Por categorias, o número de homens dispara em Física, com 2 mulheres e 205 homens ganhadores (mais de 99%). As cifras também são chamativas em Química (4 mulheres e 174 homens, quase 98%), e um pouco mais moderadas em Medicina (12 mulheres versus 202 homens, mais de 94%).

A ausência de mulheres não é por falta de candidatas. A pesquisadora Arlene Sharpe, da Escola de Medicina de Harvard (EUA), estava nos bolões de apostas para o Nobel de Medicina por seus trabalhos no aproveitamento das defesas próprias do corpo humano para combater o câncer. Também eram favoritas a francesa Emmanuelle Charpentier e a norte-americana Jennifer Doudna, por desenvolverem a técnica de edição genética CRISPR, que promete salvar milhões de vidas com sua revolucionária manipulação do DNA.

Várias pesquisadoras figuram ano após ano nas bolsas de aposta do prêmio

Em Física, a dinamarquesa Lene Vestergaard Hau, com laboratório em Harvard, estava nas apostas por reduzir a velocidade de um raio de luz a apenas 17 metros por segundo. Em Química, a norte-americana Carolyn Bertozzi, da Universidade de Stanford, figurava nas bolsas de aposta por iluminar a comunicação entre as células, essencial para entender processos como o câncer.

Outras candidatas ao Nobel morreram recentemente sem ganhá-lo. A astrônoma norte-americana Vera Rubin, a mulher que apresentou a primeira prova da existência da matéria escura, faleceu em dezembro de 2016, aos 88 anos. Outra norte-americana, Deborah Jin, que soava como Nobel de Física apesar da sua juventude, foi vítima de um câncer aos 47 anos, em setembro do ano passado, depois de ter estudado as propriedades da matéria a temperaturas próximas a zero. E neste mesmo ano morreu, aos 86 anos, a engenheira norte-americana Mildred Dresselhaus, conhecida como “a rainha da ciência do carbono”. Foi pioneira no estudo das propriedades eletrônicas dos materiais.

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