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Kombucha, o fungo da moda para beber

Em forma de bebida fermentada, seu consumo conquista famosos e restaurantes de luxo

Kombucha
Chá de kombucha fermentado em infusão de flor de sabugueiro com canela e gengibre Getty Images

Em Bali, a kombucha tem preço de champanhe. No restaurante Noma de Copenhague, que foi considerado por vários anos o melhor do mundo, usava-se como acompanhamento de alguns pratos. O cozinheiro espanhol Mario Sandoval a utiliza em seus menus. E Madonna, Gwyneth Paltrow e Reese Witherspoon, entre outros famosos, a tomam.

A kombucha surgiu há mais de 2.000 anos na China da dinastia Han e foi o elixir da vida para os imperadores. Há uma década, seu consumo começou a se difundir no Ocidente, transformando-se numa moda sofisticada entre alguns grupos trendies. E a onda já chegou a São Paulo, onde diversas marcas já disputam o mercado.

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Trata-se de uma bebida fermentada feita com traços de chá, água e açúcar. Depois de 10 a 20 dias de fermentação com o fungo da kombucha, popularmente conhecido como scoby, a bebida começa a ter acidez e efervescência. Numa segunda fermentação, são acrescidos os sabores desejados, com sucos orgânicos, e o resultado é um refrigerante com borbulhas naturais, que, segundo os iniciados, pode acabar viciando.

No final do século passado, com 17 anos, G.T. Dave criou em Beverly Hills a primeira empresa comercial de kombucha. Sua mãe, apegada às filosofias de vida orientais, tinha descoberto o produto na Índia e o fabricava artesanalmente em casa para consumo próprio. Nessa época, recebeu um diagnóstico de câncer de mama, com um prognóstico pouco alentador. Sua recuperação, entretanto, foi rápida e completa. G.T. Dave associou essa cura à kombucha, que sua mãe bebia compulsivamente, e começou a fabricá-la para seus amigos. Vinte anos depois, a bebida é um produto de sucesso que fatura mais de 600 milhões de dólares (1,9 bilhão de reais) nos Estados Unidos, e sua empresa domina mais de metade do mercado.

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“Não é uma poção milagrosa, é simplesmente uma bebida muito saudável”, afirma Beatriz Magro, cofundadora da KomVida, uma empresa espanhola que tenta implantar a kombucha naquele país. “Não cura o câncer, evidentemente, mas contribui para que o estado imunológico melhore de forma decisiva. Seu consumo é benéfico porque sua ação na flora intestinal previne doenças e equilibra o metabolismo.”

Mas além disso, como recorda Magro, nunca há saúde sem prazer. “A kombucha não é nem de longe um xarope medicinal que é preciso tomar para ficar saudável. Quem bebe gosta. Tem gente que toma no café da manhã, ou como aperitivo, ou no meio da tarde com frutos secos, ou como bebida festiva. Entre os surfistas da Califórnia, por exemplo, se tornou uma bebida indispensável.”

Embora haja cada vez mais profissionais dedicados a criar estilos de vida, é sempre um mistério saber como esses novos hábitos se difundem até virarem tendência. Por isso muitas pequenas comunidades, como os habitantes das ilhas Faroe, que conheciam a kombucha há séculos, se surpreendem agora com a entusiasmada descoberta mundial desse fungo da moda.

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