As ameaças da Coreia do Norte

Coreia do Sul reage a teste nuclear de Kim Jong-un com exercícios de mísseis balísticos

Seul também avalia a instalação de porta-aviões com armas nucleares pelos EUA na península coreana

Míssil sul-coreano é disparado durante exercícios em resposta ao teste atômico da Coreia do Norte.
Míssil sul-coreano é disparado durante exercícios em resposta ao teste atômico da Coreia do Norte.Handout (Getty Images)

A Coreia do Sul reagiu ao sexto teste atômico norte-coreano, o mais potente até agora, fazendo exercícios militares com fogo real, que simularam um ataque à base de testes nucleares da Coreia do Norte. Segundo nota do Exército nesta segunda-feira, a demonstração de força se baseou no lançamento de mísseis de curto alcance a uma distância similar, embora na direção do mar, à que se encontra o silo nuclear norte-coreano de Punggye-Ri, situado 300 quilômetros ao norte da fronteira entre ambos os países.

O projétil “alcançou com precisão o alvo marcado” no mar, segundo o Exército sul-coreano, que mobilizou vários caças F-15K durante o exercício. “As manobras demonstram que o Exército tem capacidade não somente de destruir a origem dos desafios, mas também a liderança inimiga e as forças que a apoiam, se estas ameaçarem a segurança de nosso povo”, afirmou o coronel Roh Jae-cheon, citado pela agência oficial Yonhap.

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A Coreia do Norte disse no domingo ter detonado com sucesso uma bomba de hidrogênio, um artefato muito mais potente do que uma arma nuclear convencional. O regime afirmou ainda ser capaz de instalar essa bomba em um de seus mísseis balísticos de longo alcance, que segundo os especialistas podem chegar ao território continental dos Estados Unidos. Seul informou nesta segunda-feira que a explosão teve uma potência de 50 quilotons, menos do que os 80 a 100 quilotons que outros especialistas estrangeiros estimaram. Depois do teste, os Estados Unidos prometeram uma resposta militar “maciça” caso o seu território ou o de seus aliados seja ameaçado.

O avanço do programa nuclear de Kim Jong-un levou os sul-coreanos a reverem algumas questões relativas à sua segurança. A primeira foi o anúncio, por parte do Ministério de Defesa, de que “muito em breve” será concluída a instalação do sistema antimísseis norte-americano THAAD, um processo que o novo presidente, Moon Jae-in, decidiu paralisar poucos dias depois de sua eleição, para que fosse submetido a um estudo de impacto ambiental. A instalação desse escudo gera fortes divisões na sociedade sul-coreana e provocou a ira da China, que receia o seu poderoso radar capaz de interceptar comunicações militares.

Além disso, Seul está analisando a possibilidade de que os Estados Unidos tragam à península coreana um porta-aviões com armas nucleares, bombardeiros estratégicos e “outros ativos poderosos” como resposta ao novo teste do Norte. Washington retirou suas armas nucleares da Coreia do Sul no começo da década de 1990, quando Seul e Pyongyang chegaram a um acordo bilateral de desnuclearização. Uma nova mobilização militar, que o presidente Moon até agora rejeita, elevaria de forma significativa a escalada armamentista na região. No Japão, o primeiro-ministro Shinzo Abe afirmou que também o seu país fará “todo o possível, em cooperação com os Estados Unidos, para se defender dos mísseis disparados pela Coreia do Norte e aumentar suas capacidades de defesa”.

O teste norte-coreano suscitou a condenação unânime da comunidade internacional. O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reunirá nesta segunda-feira para analisar a situação e avaliar, como pediram o Japão e a Coreia do Sul, novas sanções econômicas ao regime. A mais recente condenação ao teste partiu dos chefes de Estado dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), reunidos na cidade chinesa de Xiamen. Segundo o rascunho do comunicado final, antecipado pela Reuters, os cinco países “lamentam profundamente” o teste nuclear feito por Pyongyang e insistem na busca por “uma solução pacífica e diplomática” do conflito norte-coreano.

Nada disso parece influir nos planos de Pyongyang. O Ministério de Defesa da Coreia do Sul afirmou que “continua vendo sinais e indícios” de possíveis lançamentos de mísseis balísticos, incluindo testes de foguetes de alcance intercontinental. Segundo os serviços de inteligência, se trataria de um disparo na direção do Pacífico norte, semelhante ao que foi feito há apenas uma semana e sobrevoou o Japão.