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Google demite funcionário que escreveu manifesto machista

Para executivo-chefe, dizer que as mulheres são inferiores viola código de conduta da empresa

Machismo no Google
Sede do Google em Mountain View, Califórnia AP

Sundar Pichai enviou uma mensagem a toda a empresa. O executivo-chefe do Google considera que o manifesto publicado por um de seus funcionários viola o código de conduta da companhia. Para ele, manifestar que as mulheres são biologicamente inferiores, e que por isso não crescem profissionalmente, é algo inaceitável. “Ele ultrapassou um limite ao dar guarida a estereótipos de gênero em nosso espaço de trabalho”, afirma o diretor.

“Sugerir que um grupo de colegas tem traços que o tornam biologicamente menos preparado para um emprego é ofensivo e não é bom”, afirmou Pichai. O Google não diz abertamente, mas o email enviado a toda a empresa dá a entender que o autor do manifesto não continuará como funcionário. O departamento de comunicação também não confirma, mas salienta que a demissão é prática habitual quando o código de conduta é desrespeitado. Vários colegas confirmam a saída do engenheiro.

Durante o fim de semana, esse foi o principal assunto no Vale do Silício. As críticas, tanto ao funcionário como ao gigante das buscas, por sua demora em reagir, continuam latentes. Além disso, um debate interno teve início. Não se trata apenas de que o funcionário pensasse assim, mas também de que muitos tenham se manifestado favoravelmente a suas ideias nos fóruns internos. Uma situação que será difícil de mitigar e devolver à normalidade.

O Google não revelou a identidade do funcionário em questão. A premissa é que não aceitam essas opiniões, mas não querem estigmatizar o profissional despedido.

A carta de Pichai salienta que os produtos do Google são para todos, e que esse tipo de viés não é aceitável na hora de encarar um trabalho que não discrimina em sua execução e no resultado final.

“Que fique claro que apoiamos firmemente a liberdade de expressão, e muito do que estava na mensagem pode ser debatido, embora a maioria de nós esteja em desacordo. De qualquer forma, há passagens do manifesto que claramente violam o código de conduta e passam do limite. Nosso trabalho é fazer grandes produtos que tenham um impacto nas vidas dos usuários”, insiste Pichai. O diretor, que acaba de voltar de uma viagem pela Europa e África durante as últimas duas semanas, está de férias no Vale do Silício até quinta-feira. Nesse mesmo dia, já convocou o Town Hall, como a empresa chama as sessões de perguntas e respostas, com a participação de todos os funcionários, para debater a situação.

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