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Google cria campus em São Paulo para estimular start-ups latinas

O gigante tecnológico inaugura um programa para acelerar empresas iniciantes

Ambiente do campus do Google em São Paulo Ampliar foto
Ambiente do campus do Google em São Paulo

A América Latina é a região com maior margem de crescimento em Internet. Segundo os últimos dados da GSMA, o órgão que administra as conexões móveis em todo o mundo, em 2020 contará com mais de 400 milhões de smartphones conectados à alta velocidade. O ano de 2016 foi encerrado com 113 milhões de conexões. Ao mesmo tempo, a bancarização da população é um dos grandes desafios da região.

As cifras oscilam por países. Somente no México mais de 48 milhões de pessoas não possuem conta bancária. Em El Salvador, apenas 39% da população tem acesso ao banco, mas há uma penetração do celular superior a 70% da população. Na América Latina, essa quantidade supera os 200 milhões de pessoas sem acesso a crédito, o que dá uma ideia do potencial do celular como vetor para entrar no mundo financeiro. Segundo os estudos da GSMA, 85% das transações na região ainda são feitas com dinheiro em espécie.

O Google quer melhorar a situação através da tecnologia. Acaba de lançar o Latam Exchange, um programa ambicioso cuja sede estará no Campus de São Paulo, para que as startups, empresas tecnológicas de criação recente e grande crescimento, acelerem sua expansão, no estilo do Vale do Silício. A convocação está aberta até 18 de julho. Em meados de outubro se deslocarão para o Campus que acabam de estrear para ter um programa personalizado com mentores da indústria. O Google conta com Campus similares em Londres, Tel Aviv, Seul, Madri e Varsóvia. Logo se somará um espaço em Berlim. É a primeira vez que o Google projeta um programa somente para startups latinas.

Ao contrário do programa que desenvolvem em São Francisco, por meio do Launchpad, neste caso não custeiam voos e tampouco se comprometem a dar financiamento adicional. No caso de São Francisco são acrescidos 50.000 dólares (165.000 reais) de financiamento sem fazer parte da empresa, algo pouco comum em aceleradoras e incubadoras.

André Barrence, diretor do Campus de São Paulo, explica por que isso se dá no Brasil: “Os ecossistemas brasileiros das fintechs estão em efervescência. As startups locais estão desenvolvendo produtos e soluções que atendam um mercado de consumo que estava fora dos serviços financeiros tradicionais, satisfazendo necessidades que antes não eram atendidas, com um enorme potencial de crescimento”.

Reconhece um dos grandes freios deste continente, a ausência de um marco legal comum: “Mesmo com legislações diferentes, é possível identificar os usuários em países emergentes com características semelhantes, por isso essas empresas latino-americanas podem transformar-se em empresas que resolvem não só os problemas locais, mas os de toda a região”.

Para o Google, a fusão ente finanças e tecnologia é um dos setores que mais desperta interesse: “Falamos com vários especialistas no ramo de startups na América latina antes de escolher este setor. Será assim nesta primeira edição”. A intenção do Google é acelerar diferentes temáticas que impactem na América Latina. Antes de criar este plano a empresa teve a assessoria de especialistas que estão há tempos analisando a região, como a Endeavor, 500 Startups, Start-Up Chile, Centraal (México). Têm na mira a agtech – como se denomina a intersecção entre a tecnologia e a agricultura– e a mobilidade urbana. As finanças foram escolhidas em primeiro lugar porque contam com um ecossistema mais maduro.

Apesar desses programas de estímulo, muitas startups fracassam. O diretor da unidade insiste em que vão manter a relação depois da incubação: “A ideia é gerar um intercâmbio importante entre as empresas do setor, para que se conheçam e ajudem. E vamos manter o monitoramento de sua situação depois do programa”.

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