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Expedição acredita ter encontrado o lugar onde Amelia Earhart morreu

Missão não localizou ossos, mas colheu amostras de terra sob uma árvore do atol de Nikumaroro, no Pacífico

Amelia Earhart
Fotografia cedida pelo Arquivo Nacional dos EUA mostra a piloto norte-americana Amelia Earhart antes de sua última decolagem, em 2 de julho de 1937, em Lae (Nova Guiné).

A expedição enviada ao atol de Nikumaroro, no Pacífico, em busca dos restos da legendária aviadora Amelia Earhart topou com um novo mistério. Depois de duas semanas de buscas, acredita ter descoberto o lugar onde Earhart teria morrido, 80 anos atrás. O local, segundo a National Geographic Society, foi localizado a partir das indicações de um oficial britânico que em 1940 fez um percurso pela ilha e afirmou ter encontrado ossos humanos junto a uma planta do gênero heliotrópio.

Organizada pela National Geographic e pelo Grupo Internacional para a Recuperação de Aviões Históricos, a missão foi à ilha com quatro cães – Marcy, Piper, Kayle e Berkeley – especializados em rastrear restos humanos. Cada collie, em dias diferentes e por iniciativa própria, apontou a árvore como sendo o lugar a explorar. As escavações não encontraram os ossos, mas os investigadores levaram consigo cinco sacos de terra. Um laboratório alemão se encarregará de analisá-la e determinar se há traços de DNA humano. Em visitas anteriores, perto da mesma árvore foram achados artefatos dos anos trinta, como uma navalha e um pote de creme para sardas, indícios que alimentam a hipótese de que Earhart e seu navegador Fred Noonan alcançaram o atol coralino.

Amelia Earhart
Amelia Earhart

Desde seu desaparecimento, em 1937, o destino de Earhart obceca gerações de investigadores. Considerada uma das grandes aviadoras de todos os tempos, foi a primeira mulher a cruzar sozinha o Atlântico e a sobrevoar o Pacífico (de Honolulu à Califórnia). Em pleno apogeu da sua fama, decidiu dar a volta ao mundo.

Em 2 de julho de 1937, partiu do aeródromo de Lae, em Papua-Nova Guiné, para completar mais uma etapa da sua circum-navegação. Era um salto de 4.000 quilômetros até a Ilha Howland, entre a Austrália e o Havaí. Mas, antes de chegar ao destino, seu bimotor Lockheed Electra desapareceu. Os restos nunca foram achados.

O Governo dos EUA concluiu que a aeronave caiu no Pacífico por falha mecânica ou falta de combustível. Mas a versão oficial não eliminou o mistério. Muitos continuaram achando que Earhart, sem gasolina, teria procurado refúgio no atol. A ilha, que registrou momentos esporádicos de ocupação humana, estava desabitada naquela época. “É possível que tenham morrido de sede ou de fome. Também cabe pensar que se intoxicaram comendo peixe, ou por uma infecção após se cortarem com coral”, comentou o diretor da expedição, Richard Gillespie, ao EL PAÍS.

Outros dizem que Earhart poderia ter se suicidado ou que, em missão de espionagem, foi capturada pelos japoneses. Esta última hipótese ganhou uma sobrevida na semana passada com a descoberta de uma foto resgatada dos Arquivos Nacionais dos Estados Unidos, que mostra uma pessoa sentada de costas numa rua à beira-mar das Ilhas Marshall. Os autores da investigação, exibida pelo History Channel, afirmam, a partir de dados circunstanciais (parece mulher, tem o cabelo curto e usa calças) que poderia se tratar de Earhart. A lado dela, identificam também o navegador Fred Noonan. “Acreditamos que um navio japonês a levou das Ilhas Marshall para Saipan, nas ilhas Marianas, e que ela morreu ali quando se encontrava sob custódia dos japoneses”, disse um dos investigadores.

Nenhuma das hipóteses encontrou até agora uma prova que a sustente. Os especialistas mais rigorosos insistem em que Earhart caiu no mar. Mas a aparição de novos indícios e dúvidas mantém o caso vivo. O mistério voa com Amelia Earhart.

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