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Nove brasileiros entram para a Academia de Hollywood em vitória da diversidade no cinema

Rodrigo Santoro e Kleber Mendonça Filho são alguns dos indicados da lista que tem mais 57 nacionalidades

Rodrigo Santoro
Rodrigo Santoro

Não faz nem dois anos, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood se propôs como meta a igualdade. Ela havia virado um o saco de pancadas por ser uma indústria muito machista, muito velha e muito branca, e quis remediar. Daí que a chamada "classe de 2017", a nova onda de profissionais que esta organização dedicada à exaltação da sétima arte acaba de aceitar como membros, é a mais diversa até o momento. E também a mais numerosa. No total, 774 novos membros, de mais de cinquenta países, dos quais 30% são negros e 39%, mulheres. Há de tudo nesta nova fornada com a qual a Academia quer mudar a cara de uma associação que muitos consideravam caduca e com pouca sintonia com os tempos que correm, de diversidade racial e de gênero. Desde Gal Gador, a Mulher Maravilha do novo milênio, à brancura de Jon Hamm, o homem famoso; de Dwayne Johnson à negritude perfeita de Debbie Allen, passando pela mistura hispânica nas veias de Viggo Mortensen; da juventude de Elle Fanning à condição de veterana de Betty White. A Academia quis abrigar toda a variedade existente entre seus profissionais, abrindo espaço, inclusive, para nove brasileiros. Entre eles, estão o ator Rodrigo Santoro e o diretor Kleber Mendonça Filho, de Aquarius e O Som Ao Redor.

Além de variada, a lista é longa. Tom Ford, Monica Bellucci, super-heróis como Chris Evans, Chris Hemsworth e Chris Pratt. Novos membros de sagas galáticas como Adam Driver, Riz Ahmed e Zachary Quinto. Musas que se tornaram atrizes, como Kristen Stewart, Shailene Woodley e Sienna Miller e outras mais divertidas, como Anna Faris e Amy Phoehler, entre outros. No total, quase uma centena mais de novos membros que no ano passado, quando a Academia aceitou 683 profissionais. E entre 500 e 600 mais do que os aceitos anos antes. Uma nova fornada de membros que situa a organização em 7.500 integrantes (a Academia nunca fornece a lista completa de membros). Um grande aumento desde os 293 que fundaram esta organização há 90 anos.

Como a instituição indicou com orgulho, a classe de 2017 inclui membros de 57 países e com idades entre os 19 anos de Fanning e os 95 de White. Como observa a revista The Wrap, em sua entrevista com a atual presidenta, Cheryl Boone Isaacs, a Academia alcança este ano a meta de multiplicar por dois o número de negros entre seus membros, que havia fixado para 2020. Uma promessa feita depois da zombaria vivida há dois anos, quando não houve um só candidato negro entre as categorias de interpretação, o que motivou o slogan #OscarMuitoBranco. “Estabelecemos a meta para medir os avanços, mas o importante é a inclusão”, disse a presidenta à revista.

Dessa onda de inclusão se beneficiaram os profissionais “em espanhol” e também os brasileiros. Ao lado de Rodrigo Santoro e Kleber Mendonça Filho, já mencionados, estão os diretores Cacá Diegues (Deus é Brasileiro), Karim Aïnouz (Madame Satã) e Nelson Pereira dos Santos (Vidas secas); o roteirista Mauricio Zacharias (O Amor É Estranho); e os diretores de fotografia Affonso Beato (A Rainha), Heloísa Passos (Lixo Extraordinário) e Walter Carvalho (Central do Brasil).

Claro que em toda lista não entram todos os que deveriam e nem todos os que estão ali deveriam estar. A inclusão de atores como Ferrigno e Terry Crews, outro homem forte das telas, mais conhecido nos EUA por seus anúncios de desodorante, motivou um ou outro risinho. Isso além do convite a outros atores, como Tom Felton e Ruppert Grint, que há quem não considere merecedores desta honra, a não ser pelo fato de que o fenômeno Harry Potter, do qual fazem parte (são os personagens Draco Malfoy e Ronald Weasley, respectivamente), acabar de completar 20 anos. Uma longa lista que faz sentir que é mais fácil pertencer ao grupo fechado que era a Academia do que entrar nos EUA. Assim comprovou este ano o realizador iraniano Asghar Farhadi, acadêmico a quem a nova política imigratória de Donald Trump negou o visto para receber seu segundo Oscar.

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