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Brasil nega venda de bombas de gás lacrimogêneo para a Venezuela

Protestos da oposição ao presidente Maduro já contabilizam 74 mortos e centenas de feridos

Protesto contra Maduro é reprimido com gás em Caracas na segunda.
Protesto contra Maduro é reprimido com gás em Caracas na segunda. REUTERS

Em meio à onda de manifestações na Venezuela lideradas pela oposição, o Brasil negou um pedido de compra de bombas de gás lacrimogêneo feito pelo Governo de Nicolás Maduro. De acordo com a Política Nacional de Exportação de Material de Emprego Militar brasileira, o gás lacrimogêneo necessita da autorização do Ministério das Relações Exteriores para poder ser exportado e o pedido foi negado.

Segundo a agência EFE, o Governo brasileiro assegurou que as cargas de bombas, cuja venda foi negociada no mês de abril com a empresa brasileira Condor Tecnologias, com sede no Rio de Janeiro, "não foram embarcadas".

De acordo com o Instituto Igarapé, entre 2008 e 2011 a Condor vendeu 143 toneladas de armas não letais para a Venezuela, incluindo bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral e balas de borracha, totalizando em torno de 20 milhões de reais. O Itamaraty informou que a última venda de gás lacrimogêneo do Brasil para a Venezuela registrada pelo governo brasileiro ocorreu em 2011.

"Agora, muito possivelmente, a Venezuela passará a usar produtos vencidos que sobraram nos estoques", diz Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas. "Isso representa um perigo adicional, já que as substâncias perderam a validade".

A EFE também informa que o governo brasileiro suspendeu a venda à pedido da oposição venezuelana. Os protestos contra o o Governo Maduro já duram mais de 80 dias e contabilizam ao menos 74 mortes e centenas de feridos, segundo a promotoria da Venezuela.

No início deste mês, o governo brasileiro condenou as agressões a parlamentares ocorridas em Caracas. Por meio de uma nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil rechaçou as agressões da Guarda Nacional Bolivariana contra Juan Requesens e Miguel Pizarro, durante manifestação ocorrida em Caracas. A nota ainda acrescentou que outros manifestantes, incluindo adolescentes, foram golpeados com violência. "O Brasil condena a escalada da repressão na Venezuela e faz apelo ao governo daquele país para que respeite a Constituição de 1999 e deixe de cercear liberdades civis e políticas", diz a nota.

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