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Ricardo Teixeira, acusado de encabeçar “organização criminosa internacional”

Segundo procuradoria espanhola, ex-presidente da CBF desviou milhões em conluio com Sandro Rosell

Depois de uma operação que levou à cadeia o ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, a procuradoria espanhola comunicou que, juntamente com Ricardo Teixeira, ele teria desviado cerca de 15 milhões de euros (55 milhões de reais) em direitos de transmissão de 24 jogos realizados pela seleção brasileira. A Justiça também qualifica a parceria entre os dois cartolas como “organização criminosa internacional”, em que repartiam os lucros da operação por meio de lavagem de dinheiro em paraísos fiscais como Andorra.

Ricardo Teixeira
Ricardo Teixeira, em reunião do Comitê Organizador da Copa. Getty

Um dos alvos do FBI por suspeitas de corrupção, Ricardo Teixeira adota uma rotina discreta e reclusa desde que deixou o poder da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em 2012. Após ser alçado à presidência pelo sogro, João Havelange, em 1989, ele permaneceu por mais de 20 anos à frente da entidade. Gabava-se de ter fechado acordos milionários de patrocínio ao longo de sua gestão e das duas Copas do Mundo que a seleção brasileira conquistou sob seu comando. Também era orgulhoso das finanças da CBF, que aumentava seu faturamento ano após ano – de acordo com a procuradoria da Espanha e o FBI, parte dessas receitas foi desviada ou transformada em propina.

Depois de se separar da filha de Havelange, Teixeira casou-se com Ana Carolina Wigand, 30 anos mais nova que ele. Seu padrinho no segundo casamento foi justamente Sandro Rosell, a quem conheceu no Rio de Janeiro, onde o ex-presidente do Barça morava e era encarregado de negociar os contratos da Nike com a CBF. A amizade sobreviveu à distância e aos escândalos de corrupção. Rosell acompanhou a Copa de 2006, na Alemanha, a convite de Teixeira, que voltou a encontrar o amigo durante uma viagem pela Europa antes da última Copa. O cartola sempre dizia que foi o maior responsável por levar o Mundial ao Brasil, mas se manteve distante do evento por causa da enorme rejeição à sua figura no país.

O Congresso Nacional chegou a abrir uma CPI para esmiuçar as relações comerciais entre a seleção brasileira e a Nike, mas, usando de sua influência política, Teixeira conseguiu abafar as investigações. Durante sua administração, trabalhou para engordar a “bancada da bola”, composta por parlamentares alinhados aos interesses da confederação e frequentemente presenteados com mimos, como viagens para acompanhar os jogos da seleção no exterior. Seu maior detrator, porém, é Romário. Atualmente senador, ele tenta levar adiante as investigações contra Teixeira. O ex-atacante assegura que o dirigente o prometera que seria convocado por Luiz Felipe Scolari para a Copa de 2002, mas o técnico acabou deixando-o de fora da lista. Desde então, Romário considera Teixeira um traidor e dedica parte de seu mandato a atacar a CBF. “Safado” e “ladrão” são as palavras comumente usadas por Romário para se referir ao ex-dirigente.

Há dois anos, José Maria Marin, nome escolhido por Teixeira para sucedê-lo na presidência, foi preso na Suíça. Ele aguarda julgamento em prisão domiciliar em Nova Iorque. Quem assumiu seu lugar foi Marco Polo Del Nero, também ligado a Teixeira e igualmente indiciado pelo FBI no escândalo de corrupção da Fifa. Embora seja presidente da CBF, ele não viaja para fora do país nem mesmo para acompanhar a seleção brasileira em competições oficiais por medo de ser preso. Com uma política semelhante à de Teixeira, ele mantém o círculo de poder na confederação e mina a participação dos clubes no processo eleitoral da entidade. Antes da CBF, presidiu a Federação Paulista de Futebol por quase uma década.

Após ceder o trono na confederação, Teixeira mudou-se para Miami. Passada a Copa de 2014, decidiu voltar ao Brasil e vendeu suas duas casas nos Estados Unidos. Atualmente, o dirigente, que completa 70 anos em junho, já não tem o mesmo vigor de outras décadas, sobretudo depois de separar-se de Wigand e realizar um transplante de rim, em 2013. Vive basicamente trancado em sua mansão no Rio, enquanto advogados avaliam a possibilidade de negociar uma delação premiada para que ele deponha à Justiça dos Estados Unidos e, assim, ao contrário de Marin e Rosell, evite uma prisão repentina no Brasil.

Com informações de Fernando J. Pérez e Óscar López-Fonseca.

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