Atentado em Manchester

Presos na Líbia o pai e o irmão mais novo do terrorista suicida de Manchester

Abedi Hashem, de 20 anos, estaria planejando atentado em Trípoli e sabia dos planos do irmão

Homenagem às vítimasEMILIO MORENATTI (AP)

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Forças de segurança já prenderam oito pessoas envolvidas no atentado de segunda-feira em Manchester. Três delas são parentes do terrorista suicida, identificado pela polícia britânica como Salman Abedi, de 22 anos. Seu irmão mais velho, Ismail, foi preso na terça-feira em um subúrbio de Manchester. Seu pai, Ramadan, e o irmão mais novo, Hashem, de 20 anos, foram presos na capital líbia, Trípoli. De acordo com um porta-voz da força antiterrorista local, citado pela agência Reuters, Hashem estava ligado ao Estado Islâmico (EI), planejava um atentado na Líbia e estava em contato e ciente dos planos do irmão de atacar na segunda-feira a Manchester Arena.

“Acredito que está muito claro que se trata de uma rede e estamos investigando”, revelou o chefe da Polícia da área metropolitana de Manchester, Ian Hopkins, em uma entrevista coletiva. As forças de segurança prenderam entre terça e quarta-feira outras seis pessoas nos arredores de Manchester; as duas últimas prisões aconteceram na tarde de quarta-feira: um homem em Wigan (a 30 quilômetros da cidade), que portava um pacote suspeito, e uma mulher no norte de Manchester, no distrito de Blackey.

Salman Abedi, identificado pela polícia como o terrorista de Manchester.
Salman Abedi, identificado pela polícia como o terrorista de Manchester.

Além disso, uma fonte das forças de segurança explicou à Reuters que as autoridades suspeitam que “pode haver outras pessoas que tenham ajudado [Abedi] a fabricar a bomba”, pois preparar artefatos como o que usou “requer certo nível de perícia e competência”.

Salman Abedi, de 22 anos, estava sob o radar dos serviços de inteligência, de acordo com o ministro do Interior, Amber Rudd. Aparentemente, viajou à Arábia Saudita há um ano e meio, e à Líbia há pouco menos de dois meses, como seu pai disse à agência AP. Além disso, o ministro do Interior francês, Gérard Collomb, afirmou que suas informações também indicam que Abedi esteve na Síria, onde poderia ter se radicalizado.

A investigação se concentra agora em localizar no Reino Unido os colaboradores que poderiam tê-lo ajudado a preparar um ataque com relativa sofisticação: os materiais para fabricar a bomba, a montagem da mesma e a escolha do alvo indicam um elaborado planejamento. Na segunda-feira à noite, Abedi detonou sua carga explosiva, transportada em uma mochila, no ginásio Manchester Arena pouco depois do fim de um show de Ariana Grande. Pelo menos 22 pessoas morreram, incluindo menores de idade, e 59 pessoas ficaram feridas, 18 delas em estado crítico.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou na terça-feira que o Reino Unido elevou para “crítico”, ou seja, o máximo, o nível de alerta terrorista após o atentado de Manchester. A medida pressupõe que as autoridades do país estão preparadas para “um atentado iminente”. A ministra do Interior informou na quarta-feira que 3.800 soldados serão mobilizados pelas ruas do país. E a polícia de Londres anunciou que pedirá ao Exército que ajude a proteger locais estratégicos, incluindo o Palácio de Buckingham, o Parlamento e as embaixadas. A tradicional cerimônia de troca da guarda no Palácio de Buckingham, residência oficial da Rainha Elizabeth II, foi cancelada, de acordo com o Ministério da Defesa, e o Parlamento de Westminster foi fechado ao público. O nível de alerta era, desde 2014, “severo”, o segundo mais alto em uma escala de cinco. A última vez que se chegou ao nível “crítico” foi em julho de 2007, depois de um incidente terrorista no aeroporto de Glasgow um dia depois de um ataque com carro-bomba frustrado no centro de Londres.

Manchester amanheceu nublada. A cidade tentava voltar ao normal, mas a presença de policiais armados impediu isso. Na praça central de Albert Square os moradores continuavam colocando flores, velas e cartas em homenagem às vítimas.

A ministra do Interior manifestou sua confiança nas forças de segurança. “Sabemos que [o terrorista] era um conhecido dos serviços de inteligência”, afirmou. E explicou: “Os serviços de inteligência conhecem muitas pessoas. Isso não significa que podem prender todos que conhecem”.

“Irritação” pelo vazamento dos Estados Unidos

A ministra britânica do Interior, Amber Rudd, considerou ontem “irritante” o fato de que os detalhes sobre o atentado de Manchester tenham sido vazados à mídia dos EUA antes de serem oficialmente comunicados no Reino Unido.

“A polícia britânica foi muito clara sobre sua intenção de controlar o fluxo de informações para proteger a integridade das operações, o elemento surpresa”, disse à Rádio BBC. “Então é irritante que sejam informados por outras fontes e fui muito clara com nossos amigos de que isso não deve acontecer novamente.”

Rudd não quis especular se os Estados Unidos vão abrir uma investigação sobre o assunto, "mas posso dizer que estão bem conscientes da situação e que não isso deveria acontecer novamente".

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