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Cronologia do ‘caso Flynn’

Desde sua renúncia em fevereiro, os vínculos do ex-conselheiro de segurança nacional dos EUA com a Rússia provocaram um furacão em Washington

Trump, Flynn e Comey.
Trump, Flynn e Comey. REUTERS

O tenente-general Michael Flynn se tornou um peso para o Governo de Donald Trump. Foi conselheiro de segurança nacional por apenas 24 dias até se ver forçado a renunciar depois de mentir sobre seus contatos com a Rússia. Sua sombra não para de crescer e pôr a Casa Branca em apuros. Flynn, de 58 anos e com fama de conflitivo, é o epicentro da investigação do FBI e do Congresso sobre a suspeita de colaboração entre a equipe de Trump e a Rússia no furto e publicação de emails do Partido Democrata antes das eleições presidenciais de novembro.

Nesta terça-feira, soube-se que Trump pressionou o diretor do FBI James Comey, demitido na semana passada, a encerrar a investigação sobre Flynn.

Esta é uma cronologia do caso que inquieta a Casa Branca:

- 18 de novembro de 2016: Trump, então presidente eleito, anuncia que Flynn será seu conselheiro de segurança nacional na Casa Branca quando tomar posse em 20 de janeiro. Um dos assessores mais próximos a Trump durante a campanha eleitoral, Flynn tinha abraçado suas posições mais extremistas sobre o jihadismo e a democrata Hillary Clinton. Michael Flynn, o general islamofóbico e próximo à Rússia de Donald Trump

- 13 de fevereiro de 2017: Pressionado por Trump, Flynn apresenta sua renúncia como conselheiro de segurança nacional após vários dias de informações jornalísticas afirmando que mentiu ao vice-presidente Mike Pence sobre o conteúdo de conversas que manteve em dezembro com o embaixador russo em Washington, Serguei Kislyak. Ele teria falado sobre as sanções impostas à Rússia em dezembro devido aos ciberataques que os serviços de inteligência atribuem a Moscou. Conselheiro de segurança nacional de Trump renuncia por causa de sua relação com a Rússia

- 11 de março: Documentos revelam que, enquanto assessorava Trump durante a campanha eleitoral, Flynn recebeu 530.000 dólares (1,6 milhão de reais) de um empresário turco-americano próximo ao presidente Recep Tayyip Erdogan para indagar sobre assuntos de interesse para Ancara. O ex-conselheiro de segurança nacional de Trump se registrou como lobista no ano passado, mas até aquela semana não havia informado as autoridades norte-americanas de que também era um agente estrangeiro. Ex-conselheiro de segurança de Trump fez ‘lobby’ para a Turquia durante a campanha eleitoral

- 16 de março: Um congressista democrata revela que, em 2015, Flynn recebeu mais de 50.000 dólares como conferencista para empresas russas, uma delas a emissora Russia Today (RT), acusada de ser um braço propagandístico do Kremlin. Os pagamentos foram feitos pouco antes de Flynn se tornar assessor da campanha eleitoral de Trump em fevereiro de 2016. Ex-conselheiro de segurança de Trump recebeu mais de 50.000 dólares de empresas russas em 2015

- 20 de março: James Comey, então diretor do FBI, confirma pela primeira vez que a agência policial está investigando as supostas ligações entre a equipe de Trump e a ingerência russa para ajudar o republicano durante a campanha eleitoral. FBI confirma que investiga a equipe de Trump e nega que Obama tenha espionado o republicano

- 3 de abril: O escândalo volta a crescer após a descoberta de que Flynn, quando ainda era conselheiro de Segurança Nacional, não declarou os pagamentos que havia recebido das empresas russas. Flynn tentou corrigir a omissão, que pode lhe trazer consequências legais, com uma lista complementar feita às pressas. General Flynn ocultou pagamentos recebidos da Rússia

- 25 de abril: A polêmica volta a crescer com uma acusação do Congresso. Os líderes do comitê de supervisão da Câmara de Representantes acusam Flynn de infringir a lei ao receber pagamentos de Governos estrangeiros e não revelá-los quando renovou sua credencial de segurança de alto nível. Caso se confirmem essas acusações, o general reformado enfrentaria sérios problemas com a Justiça. Comitê do Congresso acusa Michael Flynn de infringir a lei

- 27 de abril: Três dias depois, o Pentágono anuncia que abriu uma investigação sobre os pagamentos feitos a Flynn do exterior a fim de determinar se o general solicitou a devida autorização para recebê-los. Pentágono investiga pagamentos a Michael Flynn no exterior

- 8 de maio: A ex-procuradora-geral dos Estados Unidos, Sally Yates, que teve um papel decisivo na renúncia de Flynn e foi demitida por Trump, quebra o silêncio. Perante um comitê do Senado, afirma que Flynn não só “estava enganando a opinião pública” e o vice-presidente sobre suas conversas com o embaixador russo, como também era suscetível “a ser chantageado” pelo Kremlin. Ex-procuradora-geral declara que o general Flynn era suscetível a “chantagem” pela Rússia

- 9 de maio: Trump demite repentinamente o diretor do FBI, James Comey, que dirigia as investigações sobre a trama russa. O presidente alega que o faz por recomendação do Departamento de Justiça devido à gestão feita por Comey no caso do servidor particular da democrata Clinton. Mais adiante, porém, Trump admite que iria demitir Comey de qualquer maneira e que as investigações sobre a Rússia influenciaram sua decisão. Trump demite diretor do FBI que investigava sua conexão com a Rússia

- 16 de maio: No enésimo capítulo da novela, a imprensa revela que Trump pediu a Comey em fevereiro, no dia seguinte à renúncia de Flynn, para encerrar a investigação sobre o ex-conselheiro de segurança, o que seria uma clara tentativa de interferência. Trump pressionou diretor do FBI a encerrar a investigação sobre Flynn e a trama russa

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