Duque de Edimburgo

Marido da rainha Elizabeth II decide, aos 95 anos, deixar a vida pública

Funcionários dos palácios reais ingleses foram convocados durante a madrugada para uma reunião de emergência sobre o anúncio

A rainha Elizabeth II e o príncipe Philip durante o penúltimo no aniversário da monarca, em 21 de abril de 2016.
A rainha Elizabeth II e o príncipe Philip durante o penúltimo no aniversário da monarca, em 21 de abril de 2016.FACUNDO ARRIZABALAGA (EFE)

“O príncipe Philip participará a partir de agora e até agosto dos compromissos previamente programados, tanto os individuais como na qualidade de acompanhante da rainha. A partir de então, não aceitará novos convites para visitas e compromissos, embora possa decidir ir eventualmente a certos eventos públicos”, acrescenta a nota, recordando que o príncipe-consorte é “patrono, presidente ou membro de mais de 780 organizações, das quais continuará participando, mas não terá mais um papel ativo em seus compromissos”.

“Sua majestade [Elizabeth] continuará mantendo os compromissos da sua agenda, com o apoio dos membros da Família Real”, conclui o comunicado. Em um tuíte posterior, o palácio de Buckingham acrescentou que desde 1952, quando sua esposa se tornou rainha, o príncipe “realizou 22.191 atos solitariamente”. Depois de anunciada a despedida, a primeira-ministra britânica, Theresa May, manifestou sua “mais profunda gratidão e bons desejos” ao príncipe, louvando seu apoio “constante” à monarca e seu “serviço ao país”. “É minha rocha. Tem sido minha força e meu apoio”, disse a rainha – conhecida por ser pouco inclinada a demonstrações públicas de afeto – sobre o seu marido em 2011. “Acredito que já cumpri a minha parte”, declarou o duque em entrevista à BBC também em 2011, quando completou 90 anos e anunciou que deixaria o patronato de algumas fundações.

Elizabeth II havia convocado em caráter urgente todos os funcionários da Casa de Windsor ao palácio de Buckingham para uma reunião na manhã desta quinta, o que motivou inúmeras especulações nos tabloides britânicos sobre o objetivo do encontro. A divulgação dessa incomum convocatória por parte do jornal Daily Mail levou várias fontes citadas por esse veículo a especularem sobre um possível anúncio a respeito da própria rainha, que acaba de completar 91 anos, ou sobre o seu marido, como afinal aconteceu.

Alguns veículos, mais afoitos, fizeram referência à monarca, a mais idosa na história do Reino Unido e a decana entre os atuais chefes de Estado do mundo, e à sua idade avançada. Recordaram ainda que o seu estado de saúde preocupou a sociedade britânica em dezembro, quando ela passou mais de 10 dias sem participar de nenhum ato público, em plena época natalina.

Os empregados das residências reais de todo o país – os funcionários dos castelos de Balmoral, na Escócia, e Windsor, nos subúrbios de Londres, e da mansão privada de Sandringham, no condado inglês do Norfolk – haviam recebido ao longo da madrugada desta quinta a ordem de se dirigirem imediatamente a Londres, onde durante a manhã ouviriam as palavras do mais graduado conselheiro da Casa Real, o Lorde Camareiro, e do secretário privado e braço direito da rainha, sir Christopher Geidt. Depois, o palácio de Buckingham divulgou o comunicado ao público.

Antes disso, o alvoroço era tamanho que várias fontes foram a público conter os rumores. “Não há motivos para o alarme”, afirmou uma fonte do palácio à agência Reuters, pedindo anonimato. O setorista da BBC para a Casa Real acrescentou que a reunião não estava relacionada com o estado de saúde da rainha ou do príncipe Philip.

A imprensa britânica relatou que reuniões desse tipo, com a convocação inclusive dos funcionários da Casa Real que estejam fora de Londres, sugeria se tratar de um anúncio que afetaria a todos eles. O Palácio de Buckingham se limitou a dizer que o Lorde Camareiro eventualmente convoca encontros gerais no palácio real. De fato, as reuniões no Buckingham são habituais, mas é muito raro que sejam convocadas no meio da madrugada.

Elizabeth II acaba de retornar ao Buckingham, sua residência oficial em Londres, depois de passar a Semana Santa no palácio de Windsor. A rainha recebeu May em audiência nesta quarta-feira para ser oficialmente informada sobre a dissolução do Parlamento e convocação de novas eleições. Essa audiência é uma mera formalidade, mas a tradição se mantém porque historicamente o chefe de Estado precisava autorizar esse passo.

Membros do serviço da rainha vão à reunião de urgência no palácio de Buckingham.
Membros do serviço da rainha vão à reunião de urgência no palácio de Buckingham.Leon Neal (Getty Images)

Tataraneto da rainha Vitória, como a própria Elizabeth, e de ascendência alemã, o duque nasceu em 10 de junho de 1921 na ilha grega de Corfu, como príncipe da Grécia e da Dinamarca, quinto filho (único homem) da princesa Alice de Battenberg e do príncipe André da Grécia. A rainha e o seu futuro marido se conhecem desde que ela tinha 13 anos. Durante a II Guerra Mundial, a então princesa manteve correspondência com um jovem oficial naval, Philip da Dinamarca e Grécia, com quem contrairia núpcias em 20 de novembro de 1947.

Uma das melhores etapas do casal foi quando Philip foi destacado pela Marinha Britânica para servir em Valeta (Malta). Tinham apenas dois anos de casados e se instalaram no palacete de Guardamangia, onde viviam uma existência tranquila e sem excessivas obrigações. Assim foi até que a morte do rei George VI, em 1952, interrompeu essa vida pacata. No ano seguinte, uma vez finalizado o período de luto, Elizabeth II era coroada na abadia de Westminster, e o âmbito privado ficava sujeito ao dever público. O casal teve quatro filhos: Charles, Anne, Andrew e Edward.

Aos 95 anos, o príncipe conserva seu humor e ninguém dúvida que ele seja o membro mais politicamente incorreto da família real britânica. A esquerda local o tem como um racista incorrigível, incapaz de perceber que suas brincadeiras pesadas transmitem uma imagem ruim do país. Já a direita o vê como um livre-pensador, que não está nem aí para os ditames da correção política.

Apesar de suas legendárias gafes e das tensas relações que historicamente manteve com seu filho Charles, herdeiro da Coroa britânica, o duque de Edimburgo sempre contou com o apoio absoluto da sua esposa e rainha. Com sua saída da cena pública, a família perde um de seus personagens mais controvertidos.

Arquivado Em: