ATENTADO EM ESTOCOLMO

Detido pela Polícia sueca, uzbeque é acusado pelo atentado em Estocolmo

Homem já era conhecido pelos serviços de inteligência, mas não estava sob investigação atualmente

Caminhão utilizado no atentado em Estocolmo.
Caminhão utilizado no atentado em Estocolmo.MAJA SUSLIN (AFP)

MAIS INFORMAÇÕES

De acordo com a polícia sueca, um homem do Uzbequistão de 39 anos é o autor do atentado em Estocolmo que, na sexta-feira, tirou a vida de quatro pessoas, após serem atropeladas por um caminhão de grande porte. O homem, que foi detido seis horas depois do ataque, a 40 quilômetros da capital do país, graças a várias pessoas que o identificaram por seu comportamento errático e pelas imagens registradas por uma câmera de segurança divulgadas pelas autoridades. Ele já era conhecido pelos serviços de inteligência. No entanto, não estava sob investigação atualmente, de acordo com Dan Eliasson, responsável pela Polícia Nacional da Suécia, que não revelou se o detido possui vínculos com alguma organização terrorista.

O autor do ataque, que avançou contra uma multidão na conhecida rua Drottninggatan, a principal via comercial de pedestres da capital sueca, atropelou um grande número de pessoas antes se chocar contra a fachada do centro comercial Åhléns. Depois, ele fugiu do local em direção à estação T-Centralen, que fica no subsolo e é a principal da cidade, e tomou um trem para o aeroporto de Arlanda, a cerca de 40 quilômetros de Estocolmo. Em seguida, ele se dirigiu a Märsta, no sul do país.

Imagem do suspeito difundida pela Polícia sueca.
Imagem do suspeito difundida pela Polícia sueca.

Uma mulher o viu no trem, onde viajava como um passageiro qualquer, e o reconheceu como o suspeito do ataque graças a uma foto divulgada pela polícia que mostra, embora de maneira imprecisa, um homem de pele morena, barba curta e cabelo escuro coberto com um capuz. Ela falou com um guarda e descreveu um indivíduo que parecia nervoso e que tinha a roupa queimada. O vigia chegou a chamar a polícia, mas o suspeito conseguiu fugir.

Mais tarde, seu comportamento suspeito chamou a atenção no posto de gasolina Circle K, em Märsta, e vários cidadãos que estavam ali entraram em contato com a polícia. Um deles decidiu seguir o suposto terrorista com seu carro durante um quilômetro e guiar a viatura que o capturou. O fugitivo estava usando um casaco com capuz e tinha pedaços de vidro presos à roupa, segundo fontes da investigação citadas pela imprensa sueca.

O uzbeque, preso de maneira preventiva, está sendo formalmente investigado pela Promotoria por terrorismo e assassinato. A polícia informou, no sábado, que encontrou um artefato suspeito no caminhão usado no ataque. Trata-se de um "dispositivo técnico", de acordo com Eliasson. "Até agora foi impossível identificá-lo, não sabemos se é um artigo inflamável ou uma bomba, mas não deveria estar onde foi encontrado", acrescentou.

O detido está registrado como morador de Hjulsta, um subúrbio no nordeste de Estocolmo, segundo o jornal Dagens Nyheter. No entanto, a polícia acredita que o homem não vivia ali e que apenas usava o endereço, de uma mulher que também é do Uzbequistão, para receber correspondências. A compatriota explicou que o suposto terrorista trabalha no setor de construções e envia dinheiro à sua família, que não vive na Suécia. Ela afirmou que o detido não tem nenhum vínculo com grupos extremistas ou com fanáticos religiosos. "Muito pelo contrário, ele saía e bebia álcool como muitos outros", contou.

O jornal Aftonbladet informou que o detido vive, em realidade, em um subúrbio do sul de Estocolmo. Ao parecer, ele mostrava nas redes sociais sua simpatia pelo grupo terrorista autodenominado Estado Islâmico (EI). Em seu perfil no Facebook, o uzbeque havia, supostamente, publicado vídeos propagandísticos do EI e curtido imagens dos feridos do atentado da Maratona de Boston de 2013, cometido pelos irmãos de origem chechena Dzhokhar Tsarnaev e Tamerlan Tsarnaev. As autoridades, que insistem que o caso ainda está sob uma profunda investigação, não confirmaram esses detalhes. O chefe da espionagem sueca, Anders Thornberg, se limitou a reconhecer que o detido já tinha aparecido previamente em suas investigações.

Das 15 pessoas que ficaram feridas durante o ataque, nove continuam hospitalizadas em estado grave, de acordo com informações divulgadas sábado pelas autoridades do condado de Estocolmo. A cidade e o país inteiro ainda tentam se recuperar da tragédia de sexta-feira: o primeiro ataque terrorista na Suécia desde 2010.

Arquivado Em: