Bannon, estrategista radical de Trump, deixa o Conselho de Segurança Nacional

O general McMaster, conselheiro de Segurança, obtém a saída do polêmico assessor

Steve Bannon (à esq.) antes de uma reunião com Trump na Casa Branca nesta segunda-feira.
Steve Bannon (à esq.) antes de uma reunião com Trump na Casa Branca nesta segunda-feira.Evan Vucci (AP)

O general Herbert Raymond McMaster obteve a sua primeira vitória em território inimigo. O estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, conhecido por seu radicalismo e islamofobia, deixou o Conselho de Segurança Nacional, um órgão no qual se decidem as estratégias de segurança e os maiores segredos de Estado.

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A saída de Bannon, cuja entrada foi criticada pelo fato de não se tratar de um especialista em questões militares, é o primeiro capítulo de uma batalha no mais alto nível. McMaster foi nomeado conselheiro de Segurança Nacional depois da queda do general Michael Flynn por seu envolvimento no caso russo.

Sua chegada significou uma virada. Diferentemente do setor mais duro representado por Bannon, McMaster considera a Rússia um adversário e rechaça expressões como “terrorismo radical islâmico”. “Não admito que se puna uma religião inteira”, disse ele em sua primeira reunião com os membros do conselho.

Desde o início, os especialistas já previam um confronto com Bannon. McMaster tinha contra si a enorme influência exercida pelo estrategista-chefe sobre Trump, a quem moldou ideologicamente. A seu favor, contava com o apoio de outros militares no conselho. Quem dirige o órgão é o secretário de Defesa, general James Mattis, que se coloca à distância do radicalismo de Bannon e é bastante respeitado dentro e fora do Exército.

A contenda, como tudo que tem acontecido na era Trump, foi dirimida rapidamente. Apenas um mês depois de eleito, McMaster conseguiu o que queria. Obteve a saída de Bannon e recebeu a responsabilidade de definir a agenda do conselho e passar sua autoridade a um homem de sua confiança. Da mesma forma, recuperaram suas cadeiras no Conselho o chefe do Estado Maior e o diretor de Inteligência Nacional.

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