Frente a frente com Moro, Eduardo Cunha diz ter aneurisma como o de dona Marisa

Ex-deputado afirmou que não está recebendo os cuidados médicos adequados para suas condições de saúde

Cunha escoltado por policiais
Cunha escoltado por policiaisRODOLFO BUHRER (REUTERS)

Os advogados do ex-deputado apresentaram ao juiz um pedido de liberdade para o peemedebista, que está preso preventivamente desde outubro de 2016, por determinação de Moro. Ele é réu em uma ação penal no âmbito da Operação Lava Jato por ser acusado de ter recebido 5 milhões de reais em propina relativas a contratos firmados com a Petrobras para explorar campos petrolíferos em Benin, na África. O valor teria sido depositado em contas secretas que o parlamentar mantinha na Suíça junto com sua mulher, a jornalista Cláudia Cruz, para dificultar o rastreamento do dinheiro. Ele sempre negou ser o titular das contas, e sempre disse ser apenas beneficiário dos trusts.

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Agora cabe a Moro analisar o pedido e permitir ou não que Cunha responda ao processo em liberdade. A defesa do ex-deputado também protocolou pedidos de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).

Já acuados pelas delações da Odebrecht, que implicam praticamente toda a cúpula do Governo de Michel Temer, peemedebistas temem que Cunha firme um acordo de colaboração com a Justiça e coloque mais lenha na fogueira da Lava Jato. O ex-deputado, apontado como um dos maiores artífices do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff no ano passado, sofreu uma derrocada política após aceitar o pedido de afastamento da petista. Abandonado pelo partido e pelos deputados do centrão - sua base de sustentação - e envolvido no escândalo de corrupção da Petrobras, o então todo-poderoso da Câmara se viu isolado.

A situação dele se complicou após ser acusado de ser titular de offshores não declaradas em paraísos fiscais. Ele negou o fato diante da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras, mas o Ministério Público Federal apresentou documentos que comprovam o faro. A mentira custou caro para Cunha, que acabou afastado da presidência da Câmara e perdeu o mandato por ordem do STF. No entendimento dos ministros, ele usou seu poder na Casa para obstruir as investigações contra ele. O processo contra ele corria no STF, mas como o peemedebistae teve o mandato cassado o caso foi para a primeira instância.