Análise grafológica identifica ex-presidente polonês Walesa como espião comunista Bolek

Um novo estudo voltou a apontar o ex-presidente polonês e ganhador do prêmio Nobel da Paz como informante da espionagem comunista na década de 1970

O chefe da comissão que investiga os crimes contra a Polônia (que faz parte do Instituto), o procurador Andrzej Pozorski, afirmou que “não há nenhuma dúvida” da colaboração do ganhador do Nobel com a polícia comunista. Segundo Pozorski, Walesa (ou Bolek) recebeu por seus serviços entre 5 de janeiro de 1971 e 29 de junho de 1974 um total de 11.700 zlotys – o equivalente a cinco salários médios da época. Como Walesa (1943) havia se negado a enviar amostras de escrituras aos grafologistas, os especialistas compararam vários documentos manuscritos de Walesa disponíveis nos arquivos oficiais –uma permissão de construção, um pedido de passaporte e documentos de identidade– com os recibos da polícia comunista, de acordo com Pozorski.

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Os recibos fazem parte de uma série de documentos que o IPN compilou no ano passado. Naquele momento, o Instituto já havia anunciado que tinha evidências escritas que apontavam Walesa como informante. Uma revelação que voltou a sacudir a sociedade polonesa, apesar de essa não ter sido a primeira vez que o líder do Solidarność foi envolvido em acusações de espionagem e colaboração com o regime comunista. Os recibos fazem parte de uma série de documentos apreendidos no ano passado junto à família do último ministro do Interior do regime comunista, Czeslaw Kiszczak.

Historiadores como Slawomir Cenckiewicz e Piotr Gontarczyki já afirmavam que Walesa espionou para a polícia do regime num momento em que atravessava uma situação econômica complicada pela repressão da ditadura, antes de se tornar líder do Solidarność. O que não havia sido revelado é que o ganhador do Nobel (concedido em 1983) teria recebido dinheiro por seus serviços.

Walesa sempre negou ter atuado como espião para a inteligência comunista e rejeitou veementemente acusações de ter recebido dinheiro por qualquer tipo de informação. Ele admitiu que assinou sob pressão um compromisso para se tornar um informante, algo que nunca levou a cabo. De fato, o ex-presidente (1990-1995) foi declarado inocente no ano 2000 de qualquer ligação com espionagem, algo do qual era acusado recorrentemente pelo partido ultraconservador e nacionalista Lei e Justiça (PiS), atualmente no poder. Em 2009, Walesa chegou inclusive a processar o líder dessa legenda e então presidente do país, Lech Kaczynski (morto em 2010 em um acidente de avião) por afirmar repetidas vezes que ele havia colaborado com a polícia comunista.

O tema voltou ao centro das atenções desde que o PiS retornou ao poder no fim de 2015. O Lei e Justiça e seu atual líder, Jaroslaw Kaczynski, –irmão gêmeo de Lech e primeiro-ministro na época da denúncia de Walesa–, que também foi um ativista contra o comunismo, culpam Walesa de permitir que a Polônia tenha perdido sua identidade nacional católica na transição democrática. Assim, qualquer sugestão de que o país permanecia sob influência comunista apesar de ter derrubado o regime totalitário em 1989 reforça sua teoria.

Por sua vez, o presidente do IPN, Jaroslaw Szarek, afirma que não está claro o papel de Walesa como informante e como ele pôde influenciar em centenas de decisões quando liderava o Solidarność, e inclusive após a queda do comunismo. “Essa questão falta determinar”, afirmou em uma entrevista coletiva, na qual garantiu que a órgão dirigido por ele não pretende “eliminar” Walesa e seu papel na história da Polônia.

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