Campeonato Argentino

Fim do dinheiro público põe em risco a largada do Campeonato Argentino

Governo Macri se nega a entregar mais recursos e os clubes não encontram alternativas

Marcelo Tinelli e Rodolfo D'Onofrio entrando na Casa Rosada.
Marcelo Tinelli e Rodolfo D'Onofrio entrando na Casa Rosada. (Télam)

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Já diz o regulamento: o futebol é um esporte de equipe jogado entre dois times e alguns árbitros que se ocupam de que as normas sejam cumpridas corretamente. No entanto, nem a explicação mais básica do esporte que os reúne é suficiente para pôr fim ao conflito na Associação do Futebol Argentino (AFA). A instituição terá de resolver em poucas semanas questões cruciais que não parecem perto de um acordo. A saber: o começo da liga que entrou em recesso em dezembro, a convocação de eleições, o pagamento de numerosas dívidas com jogadores e empregados dos clubes e, o que mais importa aos dirigentes, quem ficará com os direitos de transmissão das partidas pela TV. Depois de uma reunião de dirigentes e o Governo federal na Casa Rosada, a bola passou para o lado dos clubes. Enquanto isso, o árbitro (a FIFA) espera com expectativa que sejam cumpridos os prazos que indicou esta semana no processo de normalização, depois da morte de Julio Grondona.

O encontro, ocorrido na quinta-feira, na Casa Rosada, foi pedido pelos presidentes dos clubes do futebol argentino ao secretário-geral da Presidência, Fernando de Andreis, o homem escolhido pelo presidente Mauricio Macri para solucionar este problema (e que está perto de conseguir, pelo menos no que diz respeito ao Governo). O objetivo era resolver de que maneira seria encerrado o contrato do Futebol Para Todos, o programa criado pelo kirchnerismo para financiar a transmissão gratuita do campeonato a todos os cantos do país.

Os clubes argumentam que sem a entrada do dinheiro que lhes corresponde pela transmissão das partidas não podem financiar suas atividades e, como consequência, a realização do campeonato está em perigo. Por isso, Rodolfo D’Onofrio (River), Hugo Moyano (Independiente), Marcelo Tinelli (San Lorenzo), Víctor Blanco (Racing), Alejandro Nadur (Huracán), Daniel Angelici (Boca), Nicolás Russo (Lanús) e Claudio Tapia (Barracas Central) foram pedir um ressarcimento econômico limitado aos termos sobre os quais haviam conversado. Mas a resposta oficial foi negativa.

Houve até um puxão de orelhas por parte do Executivo, que instou os dirigentes a aprovarem na Assembleia da AFA os Estatutos enviados pela FIFA, que se ajustam aos regulamentos internacionais em vigor e que seja criada a Liga Argentina de Futebol Profissional. O tema que surge por trás disso é a convocação de eleições, que a FIFA fixou para 28 de abril de 2017, e a forma como serão representados os clubes pequenos nas votações. O texto original que chegou de Zurique na semana passada sugere que a Assembleia seja integrada por 46 dirigentes (atualmente são 75) distribuídos de uma forma que tira poder das equipes das divisões menores, mas inclui áreas que antes não tinham nem voz nem voto, como o futebol feminino, o futebol de salão, o futebol de praia, árbitros, treinadores e jogadores.

Na reunião também participaram o coordenador do Programa Futebol para Todos, Fernando Marín: o titular da Comissão Normalizadora da AFA, Armando Pérez, e a vice-presidente Carolina Cristinziano. No entanto, os personagens de destaque foram Angelici e Tinelli, que se cruzaram em duas oportunidades. O czar da televisão criticou o homem próximo de Macri por sua repentina guinada política na direção do grupo de dirigentes em ascensão. Essa é a dificuldade em que está empacada a solução de um problema que já angustia até os torcedores, que a uma semana da data marcada para o reinício do campeonato ainda não sabem se vai começar e em que emissora de televisão poderão vê-lo. O tempo pressiona: a data limite para receber comentários dos integrantes da Assembleia sobre o texto do estatuto é a próxima segunda-feira, dia 6. Nesse meio tempo, os clubes devem reler o regulamento para entender que as partidas são jogadas com duas equipes, não com três. E, acima, o árbitro já está muito irritado.

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