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Cresce o boicote democrata à posse de Trump

Pelo menos 44 congressistas não participarão da cerimônia após as críticas do republicano a John Lewis

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Trump com Martin Luther King III, na segunda-feira em Nova York. AFP

O número continua crescendo. Pelo menos 44 congressistas democratas anunciaram que não participarão na sexta-feira da posse do republicano Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, de acordo com o último registro, do jornal The Washington Post.

O boicote aumentou muito após as críticas de Trump ao congressista John Lewis, um símbolo da luta dos direitos civis dos negros nos anos sessenta e que foi o primeiro a anunciar sua ausência da cerimônia. Lewis afirma que Trump não é um presidente legítimo pelos ataques cibernéticos russos na campanha eleitoral que prejudicaram a democrata Hillary Clinton.

O boicote é incomum, mas o número de ausências é minoritário. Na Câmara de Representantes existem 194 congressistas democratas. Por enquanto, nenhum dos 48 senadores anunciou que não irá à posse de Trump diante das escadarias do Capitólio.

As críticas de Trump a Lewis causaram uma tempestade política nos EUA, especialmente por ocorrerem às vésperas da festa nacional, na segunda-feira, em homenagem a Martin Luther King, o reverendo que liderou o movimento dos direitos civis que acabou com a segregação legal dos negros nos anos sessenta. Lewis, de 76 anos, participou desses protestos. Foi preso e agredido.

“Não se pode estar em casa com algo que se acredita equivocado, que não é correto”, disse Lewis em uma entrevista à rede de televisão NBC, na qual anunciou sua ausência. Será a primeira vez em que o político, que está há três décadas no congresso, não participará de uma posse presidencial.

Trump lhe respondeu no Twitter que ele deveria se preocupar em solucionar os problemas do distrito que representa, na Geórgia: “Você deveria passar mais tempo resolvendo e ajudando seu distrito, que está em um estado horrível e desmoronando (para não falar que está infestado pelo crime) ao invés de se queixar falsamente dos resultados eleitorais. Só fala, fala e fala. Nada de ações e resultados”.

Em meio a essa disputa, que alimentou o debate sobre a relação de Trump com a comunidade negra, o presidente eleito se reuniu na segunda-feira em Nova York com Martin Luther King III, o filho mais velho do Prêmio Nobel da Paz. Foi um encontro organizado de última hora.

King III tentou rebater a polêmica. “Acho que no calor das emoções muitas coisas são ditas de ambas as partes”, disse à imprensa no salão da Trump Tower após a reunião. O magnata o acompanhou em sua saída do edifício, mas não fez declarações. “O objetivo é unir os norte-americanos. Somos uma grande nação”, disse o filho do líder afro-americano.

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