A pacata Roraima já registrou quase metade dos homicídios de um ano

Em todo 2015, o Estado registrou 74 assassinatos. Só nos primeiros dias de 2017, contudo, já foram 33

Enterro dos presos da chacina
Enterro dos presos da chacinaMarlene Bergamo (Folhapress)

Um dos Estados mais ao norte do país e com a menor população, Roraima não está acostumada a ter índices altos de violência. Em todo o ano de 2015, período com dados consolidados mais recentes, a Secretaria de Segurança Pública registrou 74 assassinatos. Só nos primeiros dias de 2017, contudo, já foram 33, todos no Presídio Agrícola de Monte Cristo (PAMC). É quase a metade de um ano inteiro, num impacto que reverbera e causa tensão nas conversas em bares e mercados neste fim de semana. Enquanto as autoridades tentam dimensionar o tamanho da influência de grupos criminosos de origem externa ligados à violência no presídio, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, o certo é que a chacina já elevará a taxa de homicídios por 100 mil habitantes, que era de 14,6 – o terceiro menor do Brasil, atrás de São Paulo e Santa Catarina.

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Boa Vista, a capital, é uma cidade planejada com aproximadamente 320.000 habitantes. Não tem favelas e é quase toda asfaltada e bem plana – há poucas ladeiras. Fundada em 1890, teve seu traçado urbano feito na década de 1940 com um formato de leque, inspirado em Paris. Quase não há prédios. A razão, segundo moradores, é de que o solo da cidade não permitiria a construção de grandes edifícios. Além disso, o zoneamento urbano antes limitava os imóveis a no máximo três andares. No fim de 2014, porém, uma lei municipal já autorizou a construção de edifícios de até 20 andares em algumas regiões – nenhum foi construído com essa altura.

Apesar de ser uma das pouquíssimas cidades brasileiras que está no hemisfério norte, dificilmente registra temperaturas baixas por causa da sua proximidade com a linha do Equador. A média anual de temperatura é de 27ºC, mas nos últimos dias os termômetros pelas ruas marcavam sempre acima dos 30ºC. Em qualquer ambiente fechado em que se entre, o condicionador de ar está ligado, geralmente, no mais frio possível. Agora, por exemplo, é inverno na cidade, enquanto em quase todo o Brasil é verão. Meteorologistas dizem que há apenas dois períodos climáticos no Estado, o seco – de outubro a março – e o chuvoso – de abril a setembro.

Sua economia dependente principalmente do comércio, do poder público, de produtores rurais e garimpeiros. Os primeiros shoppings boa-vistenses foram construídos tem pouco mais de dois anos. O turismo ainda é incipiente. Quando a fronteira com a Venezuela estava aberta normalmente (ela ficou fechada por algumas semanas e só foi reaberta na sexta-feira passada) e a economia daquele país estava melhor, a frequência de mochileiros na cidade era maior. Os que passam pela capital, maioria vindos de uma das 14 cidades do interior de Roraima, costumam seguir de carro para a Guiana, onde fazem compras de roupas, perfumes e alguns eletrônicos. O alto valor do dólar (3,22 reais) e a crise econômica brasileira afastaram um pouco esse tipo de turista.

O transporte público é uma das principais queixas da população. Por essa razão, um dos meios de locomoção mais usados é o táxi-lotação, um tipo de táxi legalizado que faz o mesmo trajeto dos ônibus pelo preço de 4 reais a viagem. A passagem do ônibus custa 3,10 reais e a espera nos pontos às vezes chegam a uma hora. O táxi convencional é caro. É difícil fazer viagens, ainda que curtas (trajetos inferiores a quatro quilômetros), por menos de 30 reais.

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