Crise diplomática

Putin diz que aguardará posse de Trump para responder às sanções dos EUA

Presidente russo rejeita pedido do ministro das Relações Exteriores, que havia anunciado a expulsão de 35 diplomatas norte-americanos da Rússia

Vladimir Putin e Barack Obama durante o encontro dos líderes do G20 em 5 de setembro de 2016: aumenta a tensão entre os países.
Vladimir Putin e Barack Obama durante o encontro dos líderes do G20 em 5 de setembro de 2016: aumenta a tensão entre os países.ALEXEI DRUZHININ (AFP)

O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta sexta-feira que irá esperar pela posse do presidente eleito dos EUA,  Donald Trump na Casa Branca, prevista para o dia 20 de janeiro, para responder às sanções impostas pelos Estados Unidos em razão do suposto ciberataque russo à campanha da candidata Hillary Clinton. Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, anunciou que o país iria expulsar 35 diplomatas norte-americanos do país, mas o pedido foi rejeitado por Putin.

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"Não vamos criar problemas aos diplomatas norte-americanos. Não expulsaremos a ninguém. Não proibiremos nem suas famílias, nem seus filhos de aproveitar o descanso durante as festas de fim de ano", garantiu Putin, em uma declaração divulgada posteruiormente pelo Kremlin.

"A reciprocidade é lei diplomática nas relações internacionais. Por isso propusemos ao presidente da Rússia que declare persona non grata 31 funcionários da Embaixada dos EUA em Moscou e outros quatro do Consulado estadunidense em São Petersburgo”, disse inicialmente Lavrov, de acordo com a Efe. Lavrov fez o anúncio depois de o primeiro-ministro russo Dimitry Medvedev ter publicado nesta sexta-feira no Facebook e no Twitter que lamentava que o presidente Barack Obama terminasse seu mandado “em uma agonia antirrussa”. Medvedev encerrou a mensagem lembrando a Obama que em breve vai abandonar a Casa Branca: “RIP”

Medvedev respondia assim às sanções que os Estados Unidos adotaram contra a Rússia –entre as quais a expulsão de 35 diplomatas russos em 72 horas– pelo hacking das comunicações democratas durante a campanha presidencial dos Estados Unidos. A CIA concluiu que a pirataria tinha como objetivo alçar ao poder o candidato republicano, Donald Trump. O Kremlin negou envolvimento.

Seu porta-voz, Dmitri Peskov, afirmou que ainda não sabe qual será exatamente a reação da Rússia, mas que o país “levará em conta” o fato de que “só restam três semanas à Administração de [Barack] Obama “.

Moscou, acrescentou o porta-voz, não concorda com as acusações dos Estados Unidos. Segundo o Kremlin, as sanções perseguem dois objetivos: “Piorar ainda mais as já ruins” relações bilaterais e “golpear o novo Governo” dos EUA. Trata-se de ações que “minam substancialmente as posições de política externa da Administração seguinte”, a de Donald Trump. “Dificilmente tiveram paralelo na história dos Estados Unidos (...). Isso, no final das contas, é um assunto interno”, acrescentou Peskov.

As novas sanções não foram uma surpresa para a Rússia, que já as esperava. Na terça-feira, durante uma conversa telefônica com seu homólogo norte-americano, John Kerry, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, criticou o Governo Obama por insistir “até o final em tentar minar ainda mais as bases das relações normais entre a Rússia e os EUA”.

Também se antecipou às sanções a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, que havia alertado na quarta-feira que Moscou tomaria medidas em resposta. A notícia da expulsão de 35 diplomatas russos de Washington e San Francisco chegou a Moscou por volta das onze da noite, hora local, por isso até esta sexta-feira não se conhecerá o alcance da resposta russa.

O Kremlin negou seu envolvimento nos ataques informáticos contra o Partido Democrata e afirmou que com essas acusações a Administração norte-americana só pretende justificar sua derrota nas eleições presidenciais. Zakharova disse que a Rússia já está cansada das mentiras sobre hackers russos lançadas pelas “altas esferas” dos EUA. Esta “desinformação”, segundo a porta-voz da Chancelaria, Washington usou para ajudar sua candidata nas eleições presidenciais. Zakharova advertiu que “qualquer ação contra as representações diplomáticas russas nos EUA terá efeito de imediato sobre os diplomatas estadunidenses na Rússia”.

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