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Trump estuda a viabilidade do muro com o México

Equipe do presidente eleito dos EUA entra em contato com funcionários da fronteira no Texas, que recomendam a construção de uma cerca em zonas limitadas

Homem aponta para trecho de cerca na fronteira em Brownsville (Texas), em uma imagem de 2005
Homem aponta para trecho de cerca na fronteira em Brownsville (Texas), em uma imagem de 2005Eric Gay

Como candidato republicano, Donald Trump prometeu construir um “muro grande e bonito” na fronteira com o México, que seria pago pelo país vizinho e serviria para frear a chegada de “drogas” e “criminosos”. Agora, como presidente eleito dos Estados Unidos, começa a explorar se essa promessa, um símbolo de sua campanha, é viável. A equipe de Trump entrou em contato com funcionários da fronteira no Texas para saber a opinião deles. A resposta foi que, se for construída uma barreira, deveria ser uma cerca, não um muro, e apenas em zonas específicas.

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Isso é o que afirma Henry Cuellar, um deputado democrata pelo Texas, que se opõe aos planos imigratórios do republicano. Cuellar, que representa um distrito que tem 320 quilômetros de fronteira, conversou nos últimos dias com dois responsáveis pela segurança da fronteira que foram contactados pela equipe de Trump. A sede central do departamento de Alfândega e Proteção da Fronteira pediu aos chefes de cada setor fronteiriço recomendações e uma análise da situação sobre o terreno para transmitir ao presidente eleito.

Um porta-voz do departamento se recusou a responder perguntas do EL PAÍS sobre esses contatos. A equipe de Trump, que assume o cargo em 20 de janeiro, não respondeu a um pedido de informações sobre esse assunto.

Cuellar explica que, em suas conversas com responsáveis pela fronteira, alguns disseram que uma cerca seria desnecessária em seus setores, enquanto outros defenderam a construção. Ninguém falou de um muro. “Se houver uma cerca, [os responsáveis pela fronteira] querem que seja muito limitada e que sirva para áreas específicas”, diz por telefone o deputado, que há 12 anos representa seu distrito eleitoral do Texas no Capitólio em Washington. “Tenho certeza que nenhum chefe de patrulha de fronteira está recomendando que seu setor tenha 100% de cerca”.

A fronteira entre Estados Unidos e México tem 3.100 quilômetros de extensão, dos quais 1.000 já têm trechos de cercas levantadas após a aprovação de uma lei em 2006. No Texas a fronteira se estende por 2.000 quilômetros, mas só 160 estão protegidos por cercas, segundo dados citados pela agência Associated Press. O restante é demarcado por separações geográficas, como o Rio Grande e montanhas.

“Construir o muro”, foi um grito de guerra dos comícios de Trump, nos quais o candidato repetia exaustivamente essa promessa. Mas, em sua primeira entrevista na televisão após ganhar as eleições de 8 de novembro, admitiu que poderia ser uma cerca, e se recusou a dar mais detalhes. No vídeo em que anunciou sua agenda para os primeiros 100 dias na Casa Branca não havia menção ao muro com o México.

Mas a equipe do futuro presidente repetiu que a construção do muro se mantém como uma prioridade. Os contatos com os responsáveis fronteiriços sugerem o mesmo, mas também indicam que, para aqueles que trabalham sobre o terreno, não é necessário o que foi prometido por Trump.

Cuellar afirma que só o Congresso poderia autorizar a liberação dos recursos necessários para construir uma barreira. O Partido Republicano, que controla as duas Casas, defende reforçar a segurança fronteiriça, mas parlamentares do partido já indicaram que não veem com bons olhos um hipotético muro.

Para os democratas, a oposição ao muro representa um cavalo de batalha contra Trump. “Uma cerca é uma solução do século XIV para um problema do século XXI”, afirma Cuellar. Ele destaca ainda que cerca de 40% dos imigrantes sem documentos que existem nos EUA chegaram de forma legal, e que um muro também não frearia os pedidos de asilo.

Outro fator é a realidade geográfica. Laredo, com 255.000 habitantes, é a cidade fronteiriça mais importante do distrito do deputado Cuellar. A única barreira física é uma grade em um pequeno trecho. A separação real é o Rio Grande, cujo percurso delimita o Texas com a cidade mexicana de Nuevo Laredo, em Tamaulipas. Cuellar diz que há pontos em que seria impossível construir uma cerca, e recorda que o governador do Texas, que é republicano, pediu que qualquer barreira respeite determinados limites naturais.

Também influenciam os cálculos econômicos. O deputado afirma que construir uma milha (1,6 quilômetro) de cerca custa em torno de 6,5 milhões de dólares, enquanto melhorar a vigilância com inovações tecnológicas custa um milhão por milha.

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