Zsa Zsa Gabor

Atriz Zsa Zsa Gabor morre aos 99 anos

Celebridade, casada nove vezes, trabalhou em filmes como 'Moulin Rouge', de John Huston, e ‘A marca da maldade’, de Orson Welles

Zsa Zsa Gabor (centro), com sua irmã Eva (esquerda) e sua mãe, Jolie.
Zsa Zsa Gabor (centro), com sua irmã Eva (esquerda) e sua mãe, Jolie. (Atlas)

Zsa Zsa Gabor, a atriz húngara-norte-americana mais conhecida por seus nove casamentos e por sua vida social do que por seu trabalho diante das câmeras, faleceu no domingo em sua casa aos 99 anos de um infarto no miocárdio, segundo confirmação de seu assessor, Ed Lozzi. Sári Gabor, seu nome verdadeiro, completaria um século de vida em 6 de fevereiro.

É preciso reconhecer que Zsa Zsa Gabor e sua irmã Eva foram as pioneiras em lidar com a fama e na criação do conceito de celebridade, tão em voga atualmente. Tinha talento, mas não para a representação. A lembrança que nos deixa não é a de uma atriz, mas de alguém mais popular por esbofetear um policial de Beverly Hills em 1990 (foi condenada a três dias de prisão, precisou realizar 120 horas de serviços comunitários, e riu daquele incidente no ano seguinte em Corra que a Polícia Vem Aí 2 1/2), por falar inglês de uma forma peculiar, por seu nome estranho, por suas excentricidades ao vestir-se e em suas joias e por seu vários casamentos, com atores como George Sanders (que depois se casou com sua irmã Magda), o criador da boneca Barbie, Jack Ryan e o magnata dos hotéis Conrad Hilton. Entre as loucuras de sua vida sentimental está seu casamento com o ator e advogado Felipe de Alba, que durou somente um dia, porque seu casamento anterior, com o também advogado Michael O’Hara, responsável por seu divórcio com Ryan, não havia sido encerrado legalmente.

MAIS INFORMAÇÕES

Nos últimos anos, as notícias que apareciam sobre a vida de Zsa Zsa Gabor falavam de seus problemas médicos e as brigas entre seu último marido, Frederic Prinz von Anhalt (com quem se casou em agosto de 1986), e sua única filha, Francesca Hilton, que morreu no começo de 2015. Sua irmã Eva faleceu em 1995 e sua outra irmã, Magda, em 1997. Ela explicou todo esse percurso sentimental, centrado em possíveis maridos ricos, no livro How to Catch a Man (1970), para mulheres caçadoras de dotes.

É possível que Hollywood nunca a tenha levado a sério porque ela nunca levou a sério essa faceta de sua carreira. Sári nasceu em Budapeste em 6 de fevereiro de 1917, e deu seus primeiros passos na atuação em Viena. Em 1936 foi coroada Miss Hungria, e em 1941 viajou aos Estados Unidos seguindo os passos de sua irmã Eva. Após a habitual passagem pela televisão e filmes de segunda, sua estreia nas telas de cinema só ocorreu em 1952, em O Amor Nasceu em Paris, com Kathryn Grayson. Atuou com Ginger Rogers na comédia Travessuras de Casados e também em 1952 mostrou um pouco mais de brilho nas telas com Moulin Rouge, de John Houston.

Continuou com os personagens coadjuvantes em Lili (1953), Destruí Minha Própria Vida (1956), A marca da maldade (1958) e Lábios Selados (1958). Como sua popularidade crescia em proporção inversa aos seus papéis no cinema, em determinado momento começou a aparecer nos filmes como ela mesma, em Pepe (1960) e Valete de Ouros (1967). E assim foi sua carreira nos anos setenta, oitenta e noventa, em filmes como A Hora do Pesadelo: Os Guerreiros dos Sonhos (1987), A Família Buscapé (1993) e A Volta da Família Sol, Lá, Si, Dó (1996).

Em 2002 sofreu um terrível acidente automobilístico, que a deixou paralisada por um tempo. Em 2005 sofreu um acidente cerebrovascular. Em 2010 quebrou o quadril, sofreu uma comoção cerebral e um ano depois teve a perna direita amputada a partir do joelho por uma infecção. Em fevereiro voltou a ser internada por problemas respiratórios. A melhor definição de Zsa Zsa Gabor vem dela mesma: “Mereço receber atenção não por ter algum talento, mas por ser quem sou. Sou famosa por ser famosa”.

Arquivado Em: