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Mais de 1.000 atletas russos se beneficiaram de “conspiração institucional” de doping

Relatório da Agência Mundial Antidoping confirma que o Estado participou na ocultação

Richard McLaren fala à imprensa após apresentar o relatório.
Richard McLaren fala à imprensa após apresentar o relatório. AFP

Mais de 1.000 atletas olímpicos russos pertencentes a mais de 30 confederações esportivas se beneficiaram de manipulações para esconder suas análises positivas de doping. Essa é a manchete da segunda parte do relatório que a Agência Mundial Antidoping (AMA) pediu ao professor Richard MacLaren sobre o doping de Estado na Rússia, que confirma e amplia as descobertas reveladas no primeiro relatório, especialmente o sistema para manipular os frascos de urina colocado em prática no laboratório antidoping das Olimpíadas de Inverno de Sochi 2014.

“Descobrimos a existência de uma conspiração institucional da qual participaram atletas, dirigentes esportivos e o Ministério dos Esportes russo”, disse McLaren na apresentação de suas descobertas no começo da tarde de sexta-feira em um hotel de Londres.

“A prática de trocar frascos com urina de atletas dopados por urina limpa não acabou após os Jogos de Sochi, mas se transformou em uma rotina mensal no laboratório de Moscou. As análises de DNA e de sal efetuadas confirmaram o doping”.

De acordo com os números do relatório, mais de 500 atletas identificados participaram nas Olimpíadas do Rio de Janeiro e dezenas deles conseguiram medalhas. “Durante anos, as competições internacionais foram manipuladas pelos russos”, disse McLaren.

Na quinta-feira dia 8, antecipando o conteúdo do relatório publicado no dia 9, justamente o Dia Mundial da Luta contra a Corrupção, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, anunciou que todos os atletas e técnicos identificados nas manipulações serão punidos e não poderão nunca mais participar das Olimpíadas.

Bach, entretanto, se mostrou mais compreensivo em julho, quando, por conta da publicação da primeira parte do relatório, a AMA exigiu que ele proibisse a Rússia de participar dos Jogos Olímpicos do Rio. O COI delegou a responsabilidade às diferentes confederações internacionais que, com exceção da de atletismo, permitiram a participação de atletas russos.

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