Donald Trump

Donald Trump, personalidade do ano da revista ‘Time’ como “presidente dos Estados Divididos da América”

A publicação escolhe todo ano quem mais influenciou o mundo “para o bem ou para o mal”

Capa da 'Time' com a escolha de Trump como personalidade do ano.
Capa da 'Time' com a escolha de Trump como personalidade do ano.HANDOUT (REUTERS)

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, foi escolhido a personalidade do ano de 2016 pela revista Time, que todo mês de dezembro escolhe quem considera, “para o bem ou para o mal”, ter tido mais influência nos acontecimentos mundiais do ano. “É uma grande honra, tem muito significado”, disse Trump à rede NBC logo depois de saber da escolha. A capa da publicação define o governante como o “presidente dos Estados Divididos da América”. Hillary Clinton, rival de Trump nas eleições dos Estados Unidos, também foi candidata a personalidade do ano.

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O anúncio foi feito pela editora-chefe da Time, Nancy Gibbs, no programa matutino da rede NBC. A revista explica que esta é a escolha de número 90 em sua história e acrescenta que o desafio enfrentado por Trump agora é a profunda divisão do país em relação a essa escolha. De fato, pergunta-se sobre a indicação: “É para o bem ou para o mal?”.

A Time explica em seu texto sobre a indicação que para quem é a favor de Trump, sua vitória eleitoral representa “uma reprimenda à atitude arrogante da classe governante”. Ao contrário, para quem se opõe, o presidente eleito é uma ruptura com as normas de convivência e seu discurso revela “uma política envenenada por suas opiniões racistas e sexuais”, que “inspira temor”. “Nunca se viu uma pessoa que tenha se destacado [no mundo político dos EUA] dessa forma tão pouco convencional”, acrescentou Gibbs no programa Today, veiculado em Nova York.

Nancy Gibbs explicou que a cúpula da Time escolheu o magnata nova-iorquino, entre outros motivos, por sua capacidade para “dar voz a um eleitorado oculto, divulgando suas iras e retransmitindo seus medos”. E acrescenta que na campanha foi capaz de criar uma nova “cultura política” à custa de “demolir” a que existia até agora.

Em um telefonema ao vivo no programa, Trump qualificou como “tremenda honra” ter sido escolhido personalidade do ano pela revista, mas discordou que seja responsável pela divisão dos norte-americanos. “Não fiz nada para dividir os norte-americanos, já estavam divididos”, acrescentou, e se comprometeu a superar essas diferenças quando assumir a Casa Branca, no próximo 20 de janeiro.

Gibbs admitiu em seu artigo explicativo que não sabe se a crescente influência de Trump foi “melhor ou pior” para o país e o mundo, na medida em que no momento “é difícil medir a magnitude de sua irrupção” na primeira linha política.

Trump sucede a chanceler alemã Angela Merkel como personalidade do ano da Time. No ano passado, Trump atacou a eleição de Merkel no Twitter: “Disse a vocês que a Time nunca me escolheria como personalidade do ano apesar de ser o grande favorito. Escolheu uma pessoa que está arruinando a Alemanha”.

A revista também divulgou nesta quarta-feira uma lista de finalistas na qual figuram, entre outros nomes, o de Hillary Clinton, rival de Trump nas recentes eleições presidenciais. Além disso, aparecem a cantora Beyoncé, os descobridores da técnica de modificação genética CRISPR, e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

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