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Putin não irá ao funeral de Fidel

Obama, artífice do degelo com Cuba, mas prestes a entregar o cargo a Trump, tampouco estará na cerimônia desta terça

Uma mulher presta homenagem a Fidel Castro em Havana.
Uma mulher presta homenagem a Fidel Castro em Havana. REUTERS

Vladimir Putin tem uma agenda bastante apertada”, afirmou nesta segunda-feira um porta-voz do Kremlin quando perguntado sobre a ausência do presidente russo na cerimônia de despedida de Fidel Castro nesta terça-feira em Havana. “Ele está preparando a mensagem à Assembleia Nacional”, acrescentou o assessor.

A ausência de Putin tem certa relevância devido aos laços que durante décadas uniram a Cuba socialista à União Soviética, e por ser Moscou um sócio importante para Havana – ainda mais neste momento de retração da ajuda econômica venezuelana à ilha e de expectativa quanto ao futuro da relação com os EUA, por causa da chegada de Donald Trump à presidência.

O representante oficial da Rússia no funeral será Viacheslav Volodin, presidente do Parlamento. O fato de Putin não ir ao funeral representa, de fato, um revés diplomático para o regime socialista, mas não significa que haja uma crise na relação da Rússia com Cuba. Ainda em 2015, ele se reuniu em Moscou com o presidente Raúl Castro, e os dois países mantêm vários acordos de colaboração, ainda que essa relação não seja tão estreita quanto foi na década de 1960, quando o Kremlin instalou mísseis nucleares em território cubano para ameaçar os EUA, deixando o mundo à beira de um conflito generalizado.

O Governo brasileiro se fará representar por seu chanceler, José Serra, e pelo ministro da Cultura, Roberto Freire. Após o anúncio da morte do dirigente comunista, ocorrida na noite de sexta-feira, o presidente Michel Temer divulgou nota dizendo que “Fidel Castro foi um líder de convicções”, que “marcou a segunda metade do século XX com a defesa firme das ideias em que acreditava”.

Outras ausências destacadas em Havana serão a da primeira-ministra britânica, Theresa May, e de seu homólogo canadense, Justin Trudeau, que fez uma visita oficial à ilha poucas semanas antes da morte de Castro e, depois dela, foi criticado por defini-lo como um “líder notável”. Tampouco estará presente o presidente francês, François Hollande, que visitou Cuba em 2015 e se mostrou muito interessado em aprimorar a relação entre a França e a ilha.

Chamativa, porém mais previsível, será a ausência do ainda presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Apesar de ter sido o responsável por normalizar as relações com o regime cubano e de ter feito uma histórica visita à ilha em março para selar o novo status quo bilateral com Raúl Castro, seu mandato está acabando, e em menos de dois meses ele cederá o cargo ao republicano Trump. É possível que o Governo dos EUA seja representado por John Kerry, secretário de Estado que reabriu a embaixada dos EUA em Havana em meados de 2015, mas ainda não há confirmação oficial disso.

Entre as personalidades políticas já confirmadas estão os presidentes Enrique Peña Nieto (México) e Juan Manuel Santos (Colômbia), além do ex-rei Juan Carlos, da Espanha. Líderes esquerdistas que foram importantes aliados de Castro igualmente confirmaram sua presença, caso do venezuelano Nicolás Maduro, do boliviano Evo Morales, do equatoriano Rafael Correa e do nicaraguense Daniel Ortega.

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