Campeonato Brasileiro

O Palmeiras de Cuca e Paulo Nobre

Técnico e presidente que levaram o time à conquista do Brasileirão podem sair juntos do clube

Cuca, campeão pelo Palmeiras em 2016.
Cuca, campeão pelo Palmeiras em 2016.R. Stuckert (CBF)

"Vamos ser campeões (do Campeonato Brasileiro). Vamos fazer tudo certinho, a começar por amanhã". A frase foi dita no final de abril deste ano pelo técnico Cuca momentos após a eliminação do Palmeiras no Campeonato Paulista (derrota nos pênaltis para o Santos). A promessa foge do comum. É raro um treinador assumir um compromisso desse tamanho no futebol, principalmente diante de uma torcida que não comemorava o título do Brasileirão havia 22 anos e que estava acostumada a brigar para não ser rebaixada nos últimos anos. Pois neste domingo, sete meses depois, a frase virou 'profecia' que se confirmou. O Palmeiras conquistou o Campeonato Brasileiro, título que não era comemorado desde 1994, após a vitória sobre a Chapecoense no Allianz Parque por 1 a 0.

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O Brasileirão sequer havia começado quando o comandante prometeu o título, mas Cuca sabia que tinha todas as condições para que isso acontecesse. Principalmente porque contava com toda a estrutura montada pela presidente do clube, Paulo Nobre, eleito no final de 2012 com o projeto de levar o Palmeiras de volta à posição de protagonista no futebol brasileiro. Aos 44 anos na época, o presidente mais jovem do clube desde 1932 precisava, antes de tudo, contornar a falta de dinheiro. Com ideias novas, ele apostava na modernização do departamento de marketing e na profissionalização do departamento de futebol para fazer o clube voltar a gerar renda e, aos poucos, se recuperar financeiramente.

Uma das primeiras medidas de Nobre foi contratar um profissional do esporte, Alexandre Mattos, dirigente que vinha de dois títulos do Brasileiro com o Cruzeiro, como diretor de futebol. Além disso, resolveu investir do próprio bolso para contratar jogadores e bancar parte das contas. Trader de sucesso no mercado financeiro, Nobre conseguiu multiplicar a fortuna que herdou depois da morte da mãe quando ele ainda era adolescente. Palmeirense roxo desde pequeno, o presidente milionário e apaixonado não economizou na hora emprestar dinheiro para ajudar a equipe a vencer dentro de campo.

No primeiro ano de gestão, o Palmeiras foi campeão da Série B de 2013 e conquistou a Copa do Brasil, que garantiu a equipe na Libertadores em 2014, o ano do centenário. Quando assumiu, Nobre sabia que teria o 'peso' de ser o principal dirigente do clube no ano da comemoração dos 100 anos, e optou por emprestar cada vez mais dinheiro ao clube para cumprir a promessa de que o time não seria rebaixado novamente. No fim de seu primeiro mandato, em dezembro daquele ano, já havia investido cerca de 120 milhões de reais no Palmeiras. Hoje, esse valor supera os 180 milhões de reais, dinheiro que está sendo devolvido aos poucos para o dirigente.

Outra grande conquista da gestão de Nobre foi a contratação de Cuca, em março de 2016. Experiente e campeão por onde passou, ele é famoso por montar equipes vencedoras. Tanto é que fez um elenco sem grande estrelas acreditar que poderia ser campeão. Assumiu esse risco lá em abril, quando prometeu que o título era possível, e fez acontecer.

Só que agora, os dois podem sair juntos do clube. Depois de quatro anos no poder em dois mandatos seguidos, o presidente que conseguiu levar o maior campeão brasileiro da história (são 9 títulos, contando o de 2016) de volta ao topo se despede logo após a conquista. Em eleição realizada no sábado, Maurício Galiote, aliado de Nobre, foi eleito para os dois anos seguintes com mais de 90% dos votos.

O primeiro grande desafio de Galiote no comando do clube será manter o técnico Cuca para 2017, ano de disputa de Libertadores. O treinador ainda não discutiu a renovação de contrato e deve ser convencido de que a melhor opção é permanecer. Assim que foi eleito, o novo presidente falou sobre o assunto: "o Cuca, obviamente, é muito bem avaliado. Se houver possibilidade, se chegarmos a um denominador comum, sem dúvida, eu e acho que todos os palmeirenses, gostaríamos que o Cuca ficasse".

Logo após a conquista do título, neste domingo, Cuca também se pronunciou sobre a permanência, mas não deu pistas sobre o futuro: "Agora a gente tem tempo para sentar e conversar. Hoje não tenho nada para falar. Vou conversar com o presidente eleito e ver com ele o que vamos fazer. O mais importante era ser campeão e entrar para a posteridade".

Se Cuca realmente decidir partir, o Palmeiras perderá de uma vez as duas principais cabeças por trás do time que voltou a ser campeão brasileiro após 22 anos. Cuca é o executor, o estrategista, o boleiro. E Paulo Nobre, o presidente rico e apaixonado.