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Escolas ocupadas e empate técnico de candidatos marcam eleição em Curitiba

Pesquisa Ibope deste sábado mostra Rafael Greca (PMN) com 51% e Ney Leprevost (PSD) com 49% das intenções de voto

As eleições municipais em Curitiba chegam à reta final, marcadas por uma disputa acirrada entre os dois candidatos a prefeito, e pela mudança de diversos colégios eleitorais por causa das escolas que estão ocupadas na cidade por estudantes secundaristas. Mais de 500.000 curitibanos, de um total de 1,2 milhão de eleitores, terão de mudar de endereço de votação para eleger seu candidato a prefeito da capital do Paraná, num dos embates eleitorais mais renhidos do país. Pesquisa Ibope divulgada neste sábado, aponta que o candidato do PMN, Rafael Greca, tem 51% das intenções de voto, contra 49% do seu adversário, Ney Leprevost (PSD). A pesquisa foi feita entre os dias 28 e 29, com 1.001 pessoas e a margem de erro é de três pontos para mais ou para mesmo.

Eleições 2016 Curitiba
Rafael Greca, do PMN, lidera as pesquisas em Curitiba. Futura Press/Folhapress

A mudança de endereço de votação provocada pelas manifestações contra a PEC 241 e a reforma do Ensino Médio fez o Governo pedir reforços para esta eleição, além de desembolsar 3 milhões de reais com as alterações de endereços eleitorais. Reportagem do portal UOL informa que a manifestação dos estudantes fez o Estado convocar a Força Nacional de Segurança para evitar possíveis confrontos. “O mais tenso vai ser lidarmos com esse eleitor que há 30, 40 anos vota em um colégio público estadual ocupado e que não recebeu a carta da Justiça Eleitoral [informando sobre o novo endereço de votação], ou que não acompanhou os comunicados que colocamos nas redes sociais, em rádios e TVs sobre isso”, disse Luis Fernando Keppen, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná ao portal UOL.

Nesta semana, vários protestos anti-ocupação foram vistos em frente às escolas, mas os alunos decidiram ficar. A Justiça determinou a saída dos estudantes até segunda-feira, com risco de multa diária de 10.000 reais caso a ordem seja desobedecida.

É sob esse clima que os curitibanos vão às urnas eleger o sucessor do atual prefeito, Gustavo Fruet (PDT). O levantamento mostra que a distância entre os dois candidatos ficou ainda menor na última semana, apontando para um resultado imprevisível neste domingo. Na última pesquisa do Ibope, divulgada no dia 21, Greca tinha 44% das intenções de voto, enquanto Leprevost, 39%.

Ex-prefeito de Curitiba (entre 1993 e 1997), Rafael Greca é de um partido nanico. O PMN elegeu somente três deputados federais nas eleições de 2014. Mas é o candidato de uma coligação que inclui o PSDB, partido do governador do Paraná, Beto Richa.

Liderando as pesquisas desde o início das eleições, Greca chegou a ter 45% das intenções de voto no dia 19 de setembro. Mas, na véspera do primeiro turno, esse percentual despencou para 30%. Uma declaração feita pelo candidato pode ter sido crucial para essa queda. Durante uma sabatina na PUC do Paraná, Greca disse que "vomitou" por causa do cheiro de uma pessoa pobre. “Nunca cuidei dos pobres, não sou são Francisco de Assis. Até porque a primeira vez que tentei carregar um pobre para dentro do meu carro eu vomitei por causa do cheiro", disse o candidato. Ele respondia a uma pergunta formulada por um professor da instituição sobre o crescimento de moradores de rua em Curitiba. "Era um homem muito sujo. Quando cheguei no albergue, a freira me disse: 'lavo o doutor primeiro, ou ele?".

A repercussão negativa que as declarações causaram obrigou Greca a se desculpar publicamente. “Peço perdão pelas minhas palavras. Não tive a capacidade de explicar a dificuldade que vivi ao tentar realizar o trabalho de resgate social na minha juventude. Mais uma vez, descontextualizam o que falo para tentar enganar as pessoas", disse, ao portal UOL. Greca teve 38% dos votos válidos no primeiro turno.

Já Rafael Leprevost é o candidato azarão desta disputa na capital paranaense. O deputado estadual iniciou a eleição em quinto lugar, com 5% das intenções de voto. Na véspera do primeiro turno, havia empatado tecnicamente em segundo lugar com o atual prefeito Gustavo Fruet (PDT), mas acabou desbancando o adversário, levando consigo 23% dos votos válidos.

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