Família brasileira assassinada

Detido outro suspeito de ligação com assassinato de família na Espanha

Trata-se de um amigo do assassino confesso que supostamente lhe deu conselhos “em tempo real”

Marvin Henriques e Patrick Nogueira.
Marvin Henriques e Patrick Nogueira.

A polícia brasileira informou nesta sexta-feira a prisão de Marvin Henriques Correia, estudante do segundo grau, de 18 anos, suspeito de ter colaborado com Patrick Nogueira Gouveia no assassinato de quatro membros de sua família em Pioz (Guadalajara, Espanha). O detido é amigo do assassino confesso, a quem –segundo os agentes –deu conselhos “em tempo real” para cometer o crime e esconder os cadáveres. “É um amigo de meu sobrinho. Eu o conheço. Esteve conectado com ele através do computador toda a noite. Disse-lhe como cortar os corpos e viu tudo”, afirma Walfran Campos, irmão do falecido, em declarações a EL PAÍS. “Eles se conhecem de festas do colégio. A polícia já o prendeu e recolheu um livro, seu computador e seu celular em sua casa.”

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O livro em questão se intitula A Parte Obscura de Nós Mesmos: Uma história dos Perversos, de Elisabeth Roudinesco. O celular se tornou uma peça-chave porque nele estariam os vestígios das comunicações que Marvin e Patrick teriam mantido, inclusive no mesmo dia e na mesma hora em que este último esquartejava seu tio Marcos, a mulher dele, Janaína, e os dois filhos pequenos do casal, de quatro e um ano. O novo detido, em cuja página do Facebook estão postados vídeos e fotos de violência e de órgãos despedaçados, tanto de animais como de pessoas, pode ter assessorado Patrick sobre como levar a cabo semelhante carnificina.

O suspeito foi preso em João Pessoa, capital da Paraíba. Segundo a polícia, Patrick Nogueira, de 20 anos, enviou ao amigo as fotografias que tirou ao lado dos cadáveres esquartejados de suas vítimas. “Durante a execução do crime, Patrick conversava por WhatsApp em tempo real com o suspeito preso na Paraíba. Patrick perguntava como agir, como poderia ocultar os corpos, o que fazer”, ressaltou o delegado Reinaldo Nóbrega, em uma coletiva de imprensa, segundo publicou a mídia local.

O envolvimento de Henriques foi descoberto quando um amigo teve acesso a seu telefone celular e viu as fotos dos cadáveres. “Mesmo sabendo do crime perpetrado por Patrick, o estudante continuou aconselhando-o sobre como proceder. É partícipe no crime”, disse Marcos Paulo Vilela, delegado que também trabalha no caso. A polícia revistou a casa do jovem e apreendeu um computador e o livro A Parte Obscura de Nós Mesmos: Uma história dos Perversos, de Elisabeth Roudinesco, historiadora e psicanalista francesa.

"Marvin se mostrou arrependido e triste com a situação e chegou a colaborar conosco, esclarecendo alguns pontos”, afirmou Vilela. O detido, de acordo com relato da polícia na presença dele, admitiu ter ajudado o amigo, mas declarou que não acreditava que ele estivesse cometendo um crime. Fontes policiais citadas pelo jornal O Globo dizem que o jovem não será extraditado e na segunda-feira deverá comparecer diante do juiz, que decidirá se continua ou não em prisão provisória. “Ainda não há como afirmar que o jovem teve participação efetiva no crime”, argumentou Sheyner Asfora, advogada do detido, segundo o mesmo jornal.

O assassinato de Marcos Nogueira, Janaína Américo e os dois filhos do casal, de um e quatro anos de idade, ocorreu em 17 de agosto em um chalé na localidade de Pioz (Guadalajara), a cerca de 60 quilômetros de Madri. Semanas depois, a Guarda Civil espanhola localizou os cadáveres esquartejados e colocados em sacos de lixo, que tinham sido abandonados no lugar do crime. Patrick Nogueira, sobrinho do homem assassinado, regressou à Espanha para se entregar às autoridades e confessou ter cometido o quádruplo crime.

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