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Real Madrid, radiografia de um apagão

Erros de defesa, falta de jogo pelo meio e acúmulo de lesões marcam mau momento do merengues

Real Madrid Eibar Campeonato Espanhol Ampliar foto
Cristiano Ronaldo lamenta-se durante o jogo contra o Eibar.

“Algo está acontecendo”, dizia no domingo Zidane, que apareceu na sala de imprensa do Bernabéu 45 minutos depois do encerramento da partida contra o Eibar. “Está claro que algo está acontecendo, sim, e que algo vai mal”, dizia também Pepe. O que acontece no Real Madrid é que deixou de ganhar seis pontos nas últimas três partidas da Liga. O de ontem, foi o quarto empate seguido, contando o da Champions diante do Borussia Dortmund. Zidane nega que haja crise –“estamos em outubro”– e a classificação parece lhe dar razão. Mas a freada, o apagão da equipe depois de uma boa arrancada com seis vitórias de seis, é evidente. E muitas são as razões que explicam isso.

Erros defensivos

No domingo Dani Carvajal se queixava de que, com poucas oportunidades, já marcam um gol no Madrid. Fez seis nas últimas quatro partidas, tantos como nas seis primeiras. Zidane só repetiu linha defensiva três vezes desde o começo da temporada, também por causa das lesões. Sergio Ramos se mostrava muito lento –provocou três pênaltis– e Varane, inseguro. Carvajal também cometeu erros –como o do segundo gol no Dortmund, quando centrou com o peito, a partir da direita, uma bola que acabou nos pés de Schürrle. Os deslizes da defesa, que podem acontecer, estão castigando o Madrid, já que com pouca chance os adversários marcam enquanto que os da linha de frente não conseguem remediar os erros dos que estão atrás.

Falta de gols: trio BBC tem 11 a menos

Contra o Eibar o Madrid só chutou três vezes contra o gol, a cifra mais baixa da temporada. Normalmente, a equipe cria ocasiões de marcar –finaliza uma média de 18,7 vezes por partida e uma média de 7 desses arremates tocam as redes–, mas não vem conseguindo pontuar. Nesta altura da temporada, no ano passado, o Madrid tinha um gol a mais do que no momento (21 a 20), mas a BBC havia anotado 19 (7 de Benzema, 2 de Bale e 10 de Cristiano Ronaldo) enquanto que este ano está parado em 8 (2 de Benzema, 3 de Bale e 3 de Cristiano).

Karim Benzema, durante o empate por 1 a 1 contra o Eibar. ampliar foto
Karim Benzema, durante o empate por 1 a 1 contra o Eibar. EFE

Sem o pavio de Marcelo

Talvez a baixa mais importante da equipe não seja nem Casemiro nem Modric, mas a do lateral brasileiro. Marcelo é o jogador da equipe capaz de desequilibrar as partidas quando ficam emperradas –como no domingo–, de acender o pavio quando o grupo está monótono, de criar superioridade no meio do campo e no ataque, com suas contínuas incursões, fintas, jogadas pelo centro e diagonais. Sem ele faltam descargas elétricas.

Sem capacidade de reação

Zidane afirma que não falta personalidade ao Madrid nem capacidade de reação. O técnico diz que no segundo tempo a equipe sempre reage. Não o suficiente. Deu para empatar duas partidas quando ia perdendo, mas não para consumá-las nem matar o rival. Na falta de jogo, os brancos sempre souberam se superar, valendo-se de sua trajetória épica, orgulho e personalidade. Agora parece que a equipe perdeu a capacidade de se impor. Ou é isso o que transmite.

Lesões e contínuas mudanças no time titular

A enfermaria de Valdebebas nunca esteve vazia nesta temporada. Por isso Zidane também está dando voltas. Tem um dos melhores quadros, mas até agora lhe foi impossível encontrar uma equipe titular que jogue com continuidade. Coentrão, que chegou à pré-temporada contundido, se machucou depois de três semanas de treinamento com o grupo. Marcelo tem uma ruptura no músculo da panturrilha direita; a mesma que sofreu James no aquecimento no domingo. Cristiano voltou no início de setembro por uma entorse de ligamento no joelho, Benzema busca ainda sua melhor forma depois de ficar parado um mês por um problema no osso sacro. No domingo ficou nos vestiários depois do primeiro tempo por causa de uma fisgada no joelho e nesta segunda-feira será examinado.

Varane não pôde jogar o segundo tempo contra o Eibar após receber uma forte pancada na parte posterior da coxa. Modric passou no domingo pela sala de cirurgia (foi removido um pedaço de cartilagem que ficara solto depois de receber um golpe de Diop que lhe provocou uma fissura no perônio), e lhe restam pouco menos de suas semanas de recuperação.

Danilo e Keylor Navas começaram a trabalhar com o grupo em setembro depois de operações no calcanhar. Assim vão as coisas. Zidane só pôde repetir a linha defensiva (a formada por Carvajal, Varane, Ramos e Marcelo) em quatro partidas, três delas (as três primeiras) seguidas. Seu meio de campo ideal (Modric, Casemiro, Kroos) só jogou duas vezes. No ataque, Bale, Benzema e Cristiano atuaram juntos quatro vezes.

Sem motor no meio de campo, não domina as partidas

Contra o Las Palmas e em Dortmund, o Madrid não jogou mal. Mas não foi o caso contra o Villarreal e o Eibar. Contra esses dois rivais não conseguiu dominar, e mesmo jogando em casa. Zidane disse no domingo que não é um problema de falta de jogo, mas de falta de agressividade nas bolas divididas e nas disputas. É verdade, mas o Madrid não teve jogo no domingo, nem contra o Villarreal. Luka Modric não esteve, coincidentemente, em nenhuma das duas partidas. Faltou clareza, passes em profundidade, alguém que acompanhasse as jogadas e se metesse por dentro –em tese, a tarefa de Isco. Não é por acaso que as duas partidas em que Modric não esteve (Villarreal e Eibar) tenham sido aas partidas nas quais o Madrid mais abusou das jogadas pelo centro: 54 contra a equipe de Fran Escribá e 30 no domingo.

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