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Polícia apura motivação política em morte de candidato em Goiás

Força-tarefa também investiga se atirador tinha desavença com a vítima, o ex-prefeito de Itumbiara Zé Gomes, do PTB

Zé Gomes, durante solenidade na Assembleia Legislativa.
Zé Gomes, durante solenidade na Assembleia Legislativa. Assembleia Goiás

Uma força-tarefa formada por 13 delegados da Polícia Civil do Estado de Goiás e dois da Polícia Federal investiga se o assassinato de um candidato a prefeito da cidade de Itumbiara teve motivação política ou se ele ocorreu por uma desavença pessoal entre o atirador e a vítima. José Gomes da Rocha, o Zé Gomes, de 58 anos, foi assassinado a tiros pelo funcionário público Gilberto Ferreira do Amaral, de 53 anos, na tarde desta quarta-feira enquanto participava de uma carreata da sua campanha a prefeito. Ex-prefeito por dois mandatos, ex-deputado federal e com uma carreira de 40 anos na política, era o favorito para ganhar a eleição municipal.

Outras três pessoas foram atingidas pelo atirador, o policial militar Vanilson Rodrigues (que morreu), o vice-governador e secretário da Segurança Pública, José Eliton, e o advogado Célio Rezende. Esses dois últimos passaram por cirurgias e o estado de saúde deles é estável. Não correm risco de morrer, segundo a assessoria de imprensa do Governo goiano.

De acordo com a Polícia Civil, o assassino, que também morreu após ser baleado pelo policial Rodrigues, descarregou sua arma contra a camionete onde Zé Gomes desfilava. Ao lado dele estavam ao menos outros cinco políticos: o deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO), o senador Wilder Morais (PP-GO), o prefeito Chico Balla (PTB), o deputado estadual José Antônio (PTB-GO) e o vice-governador Eliton (PSDB-GO). Foram ao menos 14 disparos feitos com uma pistola calibre .40 e o alvo era o candidato a prefeito pelo PTB. Em um dos bolsos da calça do assassino a polícia científica encontrou um carregador com mais 13 projéteis que possivelmente seria usado, caso Amaral não tivesse sido morto pelo policial militar.

Até o momento, a polícia descobriu que o atirador era um auxiliar de serviços gerais concursado na prefeitura, que ele entrou com uma ação contra o município por não ter recebido horas extras no período entre 2009 e 2012 (durante a gestão Zé Gomes) e que atualmente apoiava a candidatura de um dos adversários do ex-prefeito. Ainda não é possível afirmar que havia um mandante do crime, diz a Polícia Civil goiana.

No início das investigações, na noite de quarta-feira, policiais foram até a casa de Amaral e de seus familiares. Na residência dele, nada foi encontrado que tenha, até o momento, relação com o caso. Na casa de dois de seus filhos, porém, os policiais dizem ter apreendido 84 kg de maconha (80 na casa de um e quatro na de outro). A assessoria da Polícia Civil diz que ainda não é possível estabelecer qualquer ligação desse crime de tráfico com o assassinato.

Uma lista de eventuais possíveis adversários políticos do ex-prefeito está sendo levantada pela força-tarefa. Na política desde os 18 anos de idade, quando foi eleito vereador, Zé Gomes era um dos candidatos mais ricos do Estado. Registrou no Tribuna Superior Eleitoral ter cerca de 110 milhões de reais em bens. Foi deputado federal, estadual e coordenou em Goiás a campanha de Fernando Collor à presidência da República. Esteve entre os 38 deputados federais que votaram contra o impeachment do presidente, em 1992. Seu último posto por indicação política foi o de presidente da Saneago, a empresa de saneamento de Goiás. Na atual campanha eleitoral, sua gestão chegou a ser questionada por adversários, assim como quando esteve na presidência do time de futebol Itumbiara Esporte Clube.

Bangue-bangue

Apesar de ter ganhado repercussão internacional, o assassinato de Zé Gomes não é algo isolado nessa campanha eleitoral brasileira. Um levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo, com base em notícias publicadas por mídias regionais, mostra que ao menos 28 candidatos e pré-candidatos nas eleições municipais deste ano foram assassinados. A publicação chamou a série de homicídios de Faroeste Caboclo.

Das 28 vítimas, apenas Gomes concorria à prefeitura, as demais eram aspirantes ao cargo de vereador em diversos municípios. O Rio de Janeiro com dez assassinatos e a Bahia com cinco são os Estados que mais registraram casos. No último dia 16, reportagem do EL PAÍS mostrou quem eram as vítimas na Baixada Fluminense, no Rio. Na ocasião, revelou-se que parte dos assassinatos ocorreram porque os candidatos ou pré-candidatos estariam atrapalhando planos políticos de outros moradores da região, francamente dominada pela milícia armada.

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