Brasil encerra Paralimpíada longe da meta de medalhas e questiona rivais

País, que aspirava a ocupar o quinto lugar, ficou em oitavo. Comitê critica estratégias da Ucrânia e a China

Medalhas Brasil Paralimpíadas
Chegada na meta na final dos 200m (T11) do último dia 15 no estádio olímpico. AP

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) foi excessivamente otimista ao fazer as contas que projetavam a delegação de atletas paraolímpicos no quinto lugar nos Jogos Paralímpicos do Rio, e os brasileiros ficaram, finalmente, em oitava posição. Houve 72 pódios, 29 a mais do que em Londres, mas o Brasil, com 14 medalhas de ouro, ficou longe das 21 que pendurou no pescoço quatro anos atrás, quando ficou em sétimo lugar. Nos Jogos Olímpicos, Brasil também se impôs a meta de ficar no top 10 das potências mundiais, mas no fim se conformou com o décimo terceiro lugar.

O presidente do CPB, Andrew Parsons, evitou fazer autocrítica e questionou a estratégia da China (1ª) e da Ucrânia (3ª) de poupar seus principais atletas das grandes competições durante o ciclo olímpico, assim como deixar a classificação dos participantes, que estabelece em qual categoria competirão conforme sua deficiência, para o último momento – o que dificultaria a fiscalização. “[São] classificações muito questionáveis. Nos tirou pódios que achávamos que ganharíamos. A natação foi a mais prejudicada com isso, mas também tivemos perdas em esportes que avaliávamos que trariam o ouro”, disse Parsons em entrevista à Folha de S. Paulo.

Parsons reconheceu também que a total ausência da Rússia, segunda nas Paralímpiadas de Londres, pelos casos de doping, não foi uma vantagem para o Brasil, como era esperado, e sim para seus rivais. “A Itália foi um dos que se beneficiou da saída da Rússia. Austrália e Alemanha também. Uma das explicações [para não atingir a meta] é essa. Outro item que ajudou foi sermos surpreendidos na natação, com atletas vindos do nada. Não tivemos a posse de tantas informações para talvez revisar a meta lá atrás. Deixamos de ganhar medalhas que esperávamos, como natação e goalball, atual campeão mundial. E o crescimento do esporte paralímpico em diversos países”, disse o executivo durante o balanço oficial do desempenho da delegação.

A participação brasileira, no entanto, pode ser avaliada como a melhor da história, se considerado o número de disciplinas que conquistaram medalhas (13 contra as sete de Londres), o número total de pódios, que saltou de 43 em Londres para 72 no Rio, e o crescimento do número de medalhistas, de 43 para 113. Canoagem, ciclismo, vôlei sentado e halterofilismo, quatro dos 15 esportes pelos quais o Comitê apostou através de novos recursos provenientes do Plano Brasil Medalhas, deram, ainda, pódios pela primeira na história da Paralimpíada brasileira.

Outro motivo de celebração foi descobrir que, além da geração de atletas que cultiva fama nacional desde Pequim 2008, destacou-se uma nova geração que pretende brilhar em Tóquio 2020: 15 atletas (sete mulheres e oito homens) abaixo de 23 anos ganharam medalhas no Rio. “As medalhas acabaram não vindo da geração bem-sucedida de Londres, mas até isso mostra um caminho positivo, porque as premiações vieram de um novo grupo de atletas”, disse Parsons na entrevista à Folha.

Até 2020, a delegação brasileira terá tempo de avaliar resultados e de se inspirar em grandes potências paraolímpicas que destacaram nesses Jogos, como a britânica. Enquanto isso, Parsons, que aspira a presidir o Comitê Paralímpico Internacional, prometeu mais dinheiro. A expectativa é que no ciclo para Tóquio, a média de investimento anual no esporte paraolímpico cresça dos 70 milhões de reais de hoje para 180 milhões, graças, principalmente, à mudança de percentuais da Lei Agnelo Piva, que determina um aumento dos recursos provenientes das apostas das loterias para o CPB.

Para os organizadores, por outro lado, a pesar da morte do ciclista iraniano Bahman Golbarnezhad (o primeiro acidente mortal na história dos Jogos Paralímpicos), a Paralimpíada no Rio foi um sucesso. Após preocupações reais sobre a viabilidade econômica da competição houve grandes ajustes e até um pedido de socorro de dinheiro público para conseguir trazer os atletas ao Brasil, mas a torcida, finalmente, se empolgou. Em tempo, a venda de ingressos disparou, passando de apenas 250.000 entradas vendidas antes dos Jogos a 2,1 milhões ( 84% do total) pouco depois das primeiras provas. No final de semana passado, 172.000 pessoas foram ao Parque Olímpico, mais do que em qualquer dia dos Jogos Olímpicos, e a Rio2016 tornou-se a segunda Paralimpíada com mais público depois de Londres.

MAIS INFORMAÇÕES