Rio 2016 chega à reta final precisando de 200 milhões para garantir Jogos Paralímpicos

Atletas paralímpicos ainda não receberam o dinheiro para suas passagens de avião

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Anéis olímpicos do Parque Olímpico. AP

O Comitê Rio 2016, um dos organizadores dos Jogos Olímpicos do Rio, não tem dinheiro e vem cortando suas principais despesas nos últimos dias. Mario Andrada, diretor de comunicação da entidade, admitiu em uma coletiva imprensa nesta quinta-feira que precisa de 200 milhões de reais de dinheiro público para fechar as contas da Rio 2016 e garantir os Jogos Paralímpicos, que ocorrerá entre 7 e 18 de setembro. "Vai depender da venda de ingressos. Estamos muito mais confiantes do que estávamos antes. Dependendo disso e dos patrocínios, vamos ver quanto vamos precisar. Se fosse hoje, seriam 200 milhões", explicou.

Até agora, os mais afetados por essa crise financeira parecem ser justamente os atletas da Paralimpíada do Rio. Eles ainda não receberam o dinheiro prometido pelo Comitê Rio 2016 para cobrir os gastos com passagens de avião. São 7,5 milhões de dólares (cerca de 24 milhões de reais) que não chegaram aos comitês nacionais paralímpicos porque os organizadores dos Jogos usaram esses recursos para cobrir seus problemas de caixa. O Comitê prometeu enviar até o fim do mês o dinheiro das passagens dos atletas paralímpicos. "Se isso não ocorrer, vários países não poderão vir ao Rio, num evento que levou os atletas a se planejarem por anos", declarou na segunda-feira Philip Craven, presidente do Comitê Paralímpico Internacional (CPI), que reconheceu que a situação é "precária".

Além disso, uma decisão da Justiça Federal na última sexta-feira aprofundou a crise, ao congelar o repasse de recursos públicos ou patrocínios de empresas estatais aos Jogos até que a entidade organizadora abra suas contas e detalhe seus gastos. O comitê organizador se recusou a detalhar seus gastos. Alegou que, por ser uma instituição privada, não está obrigada a se submeter às regras de transparência do poder público. Recorreu da decisão, conseguindo derrubar a liminar nesta quarta-feira.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), declarou na segunda que, caso seja necessário, a Prefeitura tem recursos para os Jogos Paralímpicos. Lembrou ainda que, de acordo com o contrato assinado com os organizadores, a Prefeitura, o Estado e a União têm de arcar com possíveis problemas financeiros e garantir a realização dos Jogos. "A Paralimpíada é um evento incrível, mas como negócio não é exatamente atraente para patrocinadores, para venda de ingressos. É um modelo de negócio que eventualmente não fecha. Já a Olimpíada é um negócio que se paga. A prefeitura, se for necessário, tem entre 100 e 150 milhões reais especificamente para a Paralimpíada", disse, após se reunir com o presidente do CPI, Philip Craven, e membros do Comitê Rio 2016. "Seria uma vergonha para o Brasil e para as pessoas com deficiência não ter Paralimpíada".

Craven, por sua vez, chegou a ir na mesma segunda até Brasília para pedir soluções ao Governo interino de Michel Temer. Os organizadores dos Jogos esperavam receber ainda 270 milhões reais de patrocínios de empresas estatais. Assim, pretendiam usar esse dinheiro para bancar a Paralimpíada, enquanto parte dos recursos já previstos para setembro seriam transferidos para cobrir os atuais gastos, como os problemas na Vila dos Atletas e outras emergências.

“O volume de venda de ingressos para os Jogos Paralímpicos ainda não decolou. A gente também não conseguiu com patrocinadores o volume de dinheiro que a gente esperava”, chegou a dizer Andrada na segunda-feira. Isso porque, dos 2,3 milhões colocados a venda, só 12% foram vendidos. Nesta quinta, ele voltou a falar sobre os ingressos e se mostrou mais otimista, já que no dia anterior foram vendidas 9.000 entradas. O Comitê Rio 2016 continua buscando patrocinadores, sobretudo empresas públicas e de economia mista (como a Petrobras), e fazendo cortes nos gastos para tentar fechar as contas. "As contas da Rio 2016 são públicas. Os Jogos devem ter custado metade do que os de Londres. Estamos mostrando que é possível fazer isso". A regra é economizar, "não ter luxo, não ter gasto excessivo, usar da criatividade, usar da inovação, ter orgulho do que a gente está fazendo, orgulho do exemplo que os atletas trazem para a sociedade tanto nos Jogos Olímpicos, quanto nos Paralímpicos", explicou.

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