Jogos Olímpicos Rio 2016

Brasil fecha a Olimpíada Rio 2016 com a melhor participação do país em Jogos

Com sete ouros, seis pratas e seis bronzes, 19 no total, ficou na 13ª posição no quadro de medalhas, feito inédito para o país

Cerimônia de encerramento da Rio 2016.
Cerimônia de encerramento da Rio 2016.Cameron Spencer (Getty Images)

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É consenso entre os atletas e treinadores brasileiros que a melhor participação do país em Olimpíadas foi resultado do investimento recorde feito pelo Governo federal desde 2012. Levantamento feito pelo portal UOL calcula que foram gastos pelo menos 3,19 bilhões de reais na preparação para a Rio 2016, cerca de 50% a mais do que o investimento para Londres 2012. O melhor resultado do Brasil, portanto, tem que ser colocado em perspectiva, já que, apesar do investimento recorde, foram apenas duas medalhas a mais do que as 17 de 2012.

Em entrevista coletiva neste domingo, o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, desvinculou o número de medalhas ao sucesso brasileiro nos Jogos e foi contra o discurso do COB. “A conquista de uma medalha depende de uma série de fatores, das peculiaridades do dia. Portanto, não podem ser as medalhas o padrão de avaliação de atuação de uma delegação”.

O ministro preferiu falar sobre o que deu certo na Olimpíada e aproveitou para garantir a continuidade de projetos como o Plano Brasil Medalhas, lançado pela presidenta Dilma Rousseff em 2012. “O Brasil disputou 50 finais contra 36 em Londres. O país registrou uma curva de crescimento extraordinária no Rio e queremos melhorá-la para avançar em 2020. Nesse sentido, manteremos e aperfeiçoaremos os programas já em implementação pelo Governo”, disse. Apesar de afirmar que vai manter o investimento no esporte olímpico, ressaltou que um aumento de repasse para as entidades esportivas depende do crescimento da economia. Em Tóquio, ele espera que o desempenho seja ainda melhor do que o do Rio.

Entre as surpresas que deram bons frutos ao Brasil na Rio 2016 está a equipe de ginástica masculina. A seleção somou três metais –duas pratas e um bronze– ao quadro de medalhas do Brasil, superando a previsão até dos mais otimistas. “A medalha [de bronze] de Arthur Nory a gente não esperava porque a final dele era na barra e não no solo e tivemos que reformular toda a série dele”, explica o técnico da seleção masculina, Leonardo Finco.

O técnico associa os bons resultados aos investimentos que choveram no último ciclo olímpico, “principalmente do Ministério dos Esportes através de bolsas, do Comitê Olímpico Brasileiro, da Federação de Ginástica e da Caixa Federal”. No último ano, ainda, a disciplina ganhou um Centro de Treinamento, do lado do Parque Olímpico, o que permitiu à equipe focar todos seus recursos nos Jogos. “O Centro chegou tarde, do meu ponto de vista, mas atingimos uma preparação ao nível das grandes potências da ginástica”.

Finco ainda não teve tempo de comemorar ao grande sua felicidade e da sua equipe, mas já voltou ao trabalho de olho em Tóquio. Está orgulhoso de ver na seleção um dos times que mais evoluiu nos últimos quatro anos, mas adverte: “Hoje em dia esse nível de performance em que trabalhamos se torna inviável sem investimentos”.

Já no vestiário feminino a tristeza reinou quando a última das suas ginastas com chances de conseguir a primeira medalha da história da ginástica artística brasileira balançou duas vezes na trave. Flávia Saraiva, a estrela mais brilhante destes Jogos, classificou-se em terceiro lugar para a final, mas não conquistou o pódio. A pontuação da brasileira, de 16 anos, a deixou no quinto lugar. “Vou comemorar porque sou a quinta melhor do mundo. Quero agradecer a torcida que me ajudou a ser a quinta melhor do mundo”, disse. De longe, seu técnico, Alexandre Cuia, a observava preocupado e triste. “Estávamos muito perto, mas saímos de cabeça erguida. Ela tem apenas 16 anos e está no caminho certo”, disse ao EL PAÍS.

No judô, tradicionalmente um dos esportes que mais medalhas rende ao Brasil, não houve muito confete. A expectativa colocada pelo COB nos judocas desinflou-se na hora que Sarah Menezes, ouro em Londres 2012, e Felipe Kitadai, bronze há quatro anos, voltaram para casa logo no primeiro dia. A equipe, formada inteiramente por militares, no entanto, conquistou três medalhas – o mítico ouro de Rafaela Silva e os bronzes de Rafael Baby e Mayra Aguiar –, mas uma menos que em Londres.

“Temos que olhar para dentro da competição do judô para explicar o resultado”, diz o gestor técnico da Confederação Brasileira de Judô, Ney Wilson. “Tirando Japão que está fora da curva e conquistou 12 medalhas, e a França, com cinco, que no último dia teve um desempenho excepcional, nenhum país teve mais de três medalhas, que foi o que o Brasil ganhou. Países muito fortes tiveram desempenho abaixo do normal, e outros mais fracos, como Mongólia ou Azerbaijão, cresceram no último ciclo e criaram uma competição bastante dura. A distribuição de medalhas nesses Jogos foi muito homogênea” explica Wilson que confessa sua frustração. “Saio dos Jogos frustrado, mas com a certeza de que os atletas se empenharam e fizeram seu melhor. Mas não posso negar que é uma frustração não chegar ao numero de medalhas”.

Entre as surpresas brasileiras que fizeram o país subir no quadro de medalhas, dois destaques. O canoísta Isaquias Queiroz, em sua primeira participação em Olimpíadas, já se tornou o maior medalhista brasileiro em uma única edição dos Jogos, com duas pratas e um bronze. Além dele, Thiago Braz, no salto em altura, superou todas as marcas de sua carreira para saltar 6,03 m na final do salto com vara para desbancar o favorito, o francês Renaud Lavillenie, e conquistar a medalha de ouro. Além de terem entrado para a história do país no Rio, eles têm em comum a idade. Aos 22 anos, têm pela frente pelo menos mais duas edições para tentarem fazer história e levar o Brasil ainda mais longe nos próximos anos.