Atentado em casamento na Turquia deixa 50 mortos e quase cem feridos

Muitas vítimas eram membros de um partido pró-curdo; suspeitas recaem no Estado Islâmico

Uma das vítimas do atentado.Stringer Turkey Reuters / EFEundefined

Um novo atentado suicida perpetrado no sábado na Turquia deixou pelo menos 50 mortos e quase uma centena de feridos em uma festa pré-nupcial na cidade de Gaziantep (no sudeste do país). O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, apontou o Estado Islâmico como "provável autor" do massacre, que comparou com os recentes atentados do grupo armado curdo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) -que esta semana promoveu mais de meia dúzia de ataques contra diversos alvos-, e com o fracassado golpe militar de 15 de julho. Pouco depois, Erdogan afirmou que o autor do ataque suicida foi um menino, que tinha entre 12 e 14 anos. O atentado na noite de sábado foi o mais letal deste ano -o ataque no aeroporto de Istambul em julho deixou 45 mortos- e um dos mais mortíferos na história da Turquia.

O ataque ocorreu por volta das 22h40 (horário local), em meio a uma "noite da henna" -uma cerimônia tradicional em homenagem à noiva antes do casamento- que estava sendo realizada em plena rua no bairro de Akdere. Essa parte de Gaziantep -um centro nevrálgico do sudeste da Turquia, muito perto da fronteira síria- é conhecida por ter acolhido numerosos deslocados pelo conflito entre o PKK e as forças de segurança turcas desde a década de 1990.

Segundo testemunhas citadas pela rede CNN-Turk, o suposto autor da matança foi até a festa com dois homens de cerca de 25 anos, que teriam fugido depois de o suicida detonar a carga explosiva que carregava. "Muitos cidadãos, incluindo mulheres e crianças, perderam a vida, e muitos outros ficaram feridos", afirmou o Partido da Democracia dos Povos (HDP), que informou que os anfitriões da cerimônia eram membros dessa legenda, a principal curda da Turquia e a terceira em número de cadeiras no Parlamento nacional. "Condenamos quem lançou este ataque e as forças e ideologias por trás de suas ações", acrescentou em um comunicado, no qual explica que os líderes do partido e uma comissão de investigação se deslocarão neste domingo até Gaziantep para recolher provas do ocorrido.

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O governador Ali Yerlikaya havia confirmado pouco depois que se tratava de um atentado terrorista e na manhã deste domingo atualizou o número de vítimas. E Mehmet Erdogan, deputado do partido governamental AKP pela província de Gaziantep, foi um dos primeiros a afirmar que se tratava de uma ação suicida e em apontar o Estado Islâmico como suposto autor, em declarações à agência oficial AA.

"Este jogo canalha que tentam em Gaziantep não vai funcionar. É preciso decifrar as intenções verdadeiras por trás destas provocações à nossa nação. Não vamos comprometer a unidade, a convivência e a fraternidade", disse o presidente Erdogan em um comunicado de condenação. Vários dirigentes do partido islâmico governista fizeram um chamado à população para que "não caia em provocações", pois a convivência em diversas regiões da Turquia tem sido prejudicada por causa da vizinha guerra na Síria e a violenta retomada do conflito curdo, depois do fracasso do processo de paz entre o PKK e Ancara, no ano passado. Desde então, mais de 1.700 pessoas foram mortas nos combates e diversos atentados dos insurgentes curdos, e bairros inteiros de localidades curdas que se haviam rebelado, com armas, em apoio ao PKK, foram arrasados pelo Exército.

Gaziantep é precisamente uma dessas cidades-chave para a convivência, pois nela habitam turcos, curdos e árabes, aos quais se somou um grande número de refugiados sírios chegados durante a guerra civil no país vizinho. Numerosas organizações de oposição síria, incluindo grupos armados islâmicos radicais, têm presença na cidade. O Estado Islâmico também mantém células ativas no local, como demonstram os vários assassinatos de ativistas sírios cometidos nesta e em outras cidades próximas.

Depois do atentado de Gaziantep, vários canais locais informaram que havia escassez de sangue nos hospitais para atender aos feridos, por isso dezenas de pessoas foram até as unidades médicas. Entre a polícia e a multidão reunida nos hospitais - formada por doadores e parentes que pediam notícias sobre as vítimas -houve momentos de tensão e empurrões. Vários agentes deram tiros de advertência para o ar, para dispersar as pessoas.

A Autoridade de Rádio e Televisão Turca (RTUK) impôs uma proibição temporária à mídia, vetando todo tipo de informação "sobre o momento ou as circunstâncias da explosão, o trabalho dos funcionários públicos e os feridos e mortos" com a finalidade de "não criar obstáculos ao esclarecimento do ocorrido e à detenção de suspeitos". Dessa proibição a exceção são "as declarações das autoridades competentes", afirma o órgão em um comunicado divulgado em seu site.

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