EUA posicionam caças diante de aviões sírios em defesa de suas forças especiais

Regime sírio bombardeia milícias curdas que são apoiadas por unidades de elite norte-americanas

Lançamento de um míssil de cruzeiro desde o Mediterrâneo, em uma imagem do Ministério de Defesa russo. AP

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O Exército do regime do presidente Bashar al Assad lançou durante esta semana uma ofensiva contra as milícias curdas das Forças de Proteção do Povo (YPG), em Hasaka, a 50 quilômetros da fronteira com a Turquia. Os combatentes curdos pretendiam se apoderar, segundo o regime sírio, da parte da cidade que continuava sob controle das tropas governamentais. O Partido União Democrática (PYD, ala política do YPG) proclamou o autogoverno na região e pretende estabelecer um regime federal para os curdos -que representam pouco menos da décima parte dos 22 milhões de habitantes do país -depois do conflito civil.

OS EUA enviaram nos últimos meses 300 soldados de suas forças especiais (unidades de elite utilizadas em operações encobertas e de alto risco) para assessorar e apoiar o YPG. As milícias curdas da Síria -uma força rebelde que até agora não vinha sendo atacada pelo Exército sírio- se transformaram na principal força no terreno contra o Estado Islâmico e contam com pleno respaldo da coalizão internacional encabeçada por Washington, que bombardeia as bases jihadistas do califado.

Um porta-voz do Pentágono, citado pela Reuters, anunciou que foram enviadas mais patrulhas aéreas sobre Hasaka, que possuía 300.000 habitantes antes da guerra (curdos e árabes, em partes iguais) e onde se refugiaram mais de 110.000 deslocados pelo conflito.

Milhares de civis fugiram da cidade, onde não há eletricidade e restam poucos alimentos, desde que se iniciaram os bombardeios da aviação e da artilharia do regime sírio na quarta-feira. Pelo menos 39 pessoas (23 delas civis, incluindo 9 crianças) morreram, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

O Departamento de Defesa norte-americano afirma ter contatado o Exército russo, através do canal permanente estabelecido para evitar incidentes aéreos na Síria, mas seus comandos negaram que tivessem aviões intervindo na área. O Pentágono confirmou que os membros de suas forças especiais não sofreram baixas. Também revela que pediu a Moscou que comunicasse a situação a Damasco, depois que as chamadas por rádio desde Hasaka para alertar sobre a presença de tropas norte-americanas aos pilotos dos caças de fabricação russa não receberam resposta. O Observatório ressalta que as unidades de elite dos EUA se encontram em uma base situada 6 quilômetros ao norte da zona urbana.

Misseis de cruzeiro russos

Em uma decisão também sem precedentes desde que a frota da Rússia no mar Cáspio lançou foguetes sobre a Síria, pouco depois de envolver sua aviação, em setembro do ano passado, no apoio ao regime de Assad, navios de guerra russos lançaram na sexta-feira mísseis de cruzeiro a partir do Mediterrâneo contra posições de rebeldes perto de Aleppo. Moscou começou também a bombardear os insurgentes utilizando uma base aérea no Irã cedida pelo Governo de Teerã.