Será que Trump passaria no teste que quer impor aos imigrantes?

Democratas desafiam o candidato republicano a se submeter à prova para a naturalização

O candidato republicano Donald Trump na segunda-feira em um discurso em Ohio

Donald Trump anunciou como pilar da sua política externa, caso chegue à Casa Branca, a intenção de submeter a um “escrutínio extremo” qualquer estrangeiro que quiser entrar nos Estados Unidos. A ideia é obrigar a imigrantes e/ou visitantes – não ficou muito claro – a realizarem um “teste ideológico” para comprovar que compartilham dos valores norte-americanos, seja lá o que for que o candidato republicano entende por isso.

“Quem não acredita na nossa Constituição, ou quem apoia a intolerância e o ódio, não será autorizado a imigrar para este país”, disse Trump durante discurso na segunda-feira em Ohio.

A proposta foi rapidamente desqualificada por aqueles que consideram que se trata de mais um passo na estratégia anti muçulmana de Trump. Durante a campanha, o candidato sugeriu em várias ocasiões que proibir a entrada de muçulmanos no país seria uma boa tática para combater o Estado Islâmico.

“É um teste no qual ele não passaria”, disse nesta terça-feira a candidata democrata, Hillary Clinton.

O líder democrata do Senado, Harry Reid, foi além e desafiou Trump a se submeter a uma prova desse tipo. Sugeriu, especificamente, que simulasse o exame que as autoridades migratórias aplicam a quem deseja obter a cidadania norte-americana.

“Já que Donald Trump quer exigir novos exames para imigrantes, deveria fazer o exame que os imigrantes precisam superar para poderem se tornar cidadãos norte-americanos”, disse o influente senador por Nevada.

Khizr Khan, que se tornou um dos astros da convenção democrata deste ano por ser pai de um militar muçulmano morto na guerra do Iraque, disse que inclusive estaria disposto a fazer o exame junto com Trump.

“Desafio Trump se submeter ao teste de naturalização comigo quando quiser”, disse por e-mail ao site The Huffington Post. Khan e sua mulher, Ghazala, despertaram a ira de Trump quando discursaram na convenção. Falaram do seu filho, o capitão Humayun Khan, e dos muitos muçulmanos dispostos a perder a vida lutando pelos EUA.

O pai do capitão Khan questionou o rival republicano de Hillary Clinton, acusando-o de nunca ter sacrificado nada pelo país que deseja presidir. Tirando uma Constituição do bolso, insinuou inclusive que Trump nunca havia lido o texto-base democracia americana. Os ataques do candidato republicano à família Khan provocaram uma dura reação de boa parte da comunidade militar – para quem os soldados caídos e suas famílias são sagrados – e uma queda nas pesquisas da qual Trump ainda não se recuperou. A família Khan, de origem paquistanesa, obteve a cidadania norte-americana em 1980, depois de passar pelo exame de cidadania.

Ele consiste em 100 perguntas de “educação cívica” sobre a história e o funcionamento do Governo dos Estados Unidos, salpicadas com algumas questões de geografia. Durante o processo de naturalização, o candidato precisa responder a dez dessas perguntas, sendo que precisa acertar seis.

Eis algumas das perguntas (com respostas entre parênteses) que poderão cair para Trump se ele aceitar o desafio de Reid e Khan:

- Qual é um direito ou liberdade que a Primeira Emenda garante? (Expressão, religião, reunião, imprensa ou apresentar solicitações ao Governo.)

- Em que consiste a liberdade de religião? (Pode-se praticar qualquer religião ou não ter nenhuma.)

- Quanto dura o mandato de um senador nos EUA? (Seis anos.)

- Em caso de impedimento do presidente e de seu vice, quem assume a presidência do país? (O presidente da Câmara de Representantes.)

- Quem escreveu a Declaração de Independência? (Thomas Jefferson.)

- Que território os Estados Unidos compraram da França em 1803? (A Louisiana.)

- O que fez Susan B. Anthony? (Lutou pelos direitos das mulheres e pelos direitos civis.)

- Antes de ser presidente, Eisenhower era general. De qual guerra participou? (Da Segunda Guerra Mundial.)

- Por que há 13 listras na bandeira? (Representam as 13 colônias originais.)

O senador Reid, braço direito do presidente Barack Obama no Congresso, se disse convencido de que Trump “certamente seria reprovado nessa prova, dada a sua ignorância e falta de compreensão da história básica dos Estados Unidos, dos seus princípios e do funcionamento do nosso Governo”.

Até agora, o candidato republicano não respondeu ao desafio.

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