Jogos Olímpicos

Poliana Okimoto, o bronze merecido após 20 anos nadando pelo Brasil

Desclassificação de francesa dá à atleta de 33 anos a medalha olímpica buscada desde 2008

Poliana Okimoto, medalha de bronze na Rio 2016.
Poliana Okimoto, medalha de bronze na Rio 2016.David Goldman (AP)

"Dediquei tantos anos para a natação, mereci muito essa medalha. Construí essa medalha a cada treino, a cada dia. Eu mereço muito essa medalha, construí isso", disse Okimoto, muito emocionada, ao ser avisada de que era, enfim, medalhista olímpica. Nadou 10 quilômetros em mar aberto por 1h56min51s. "Treinei em água fria, me preparei para todo tipo de mar. Mas Deus é brasileiro, deixou o mar tranquilo, com uma água boa. Fiz a melhor prova da minha vida. No fim eu estava morta, mas dei um gás no sprint. Eu não sabia sobre a medalha, e enquanto não saiu o resultado oficial... aí que descarrega, que vem o choro", desabafou.

Okimoto começou precocemente na natação. Aos 3 anos, já dava as primeiras braçadas. Aos 13, foi convocada pela seleção brasileira. Começou na piscina, como a maioria dos atletas da modalidade, mas foi empurrada para a praia pelo treinador, o marido Ricardo Cintra, que viu na competidora uma resistência maior para aguentar longas distâncias. A primeira prova em mar aberto foi em 2005, na Travessia dos Fortes, quando descobriu que tinha fobia do mar. "Na véspera da prova, a gente foi treinar no mar. Coloquei a cabeça na água e me deu um pânico, falei que não ia conseguir nadar, saí chorando da água, pensei em voltar para a piscina", revelou, em entrevista ao SportTV anos depois. Mas não desistiu: competiu no dia seguinte e deu ali início a uma carreira coroada por conquistas: foi campeã mundial dos 10 km em 2013, duas vezes medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos no Rio (2007) e em Guadalajara (2011).

Competidoras disputam a maratona aquática no Rio de Janeiro.
Competidoras disputam a maratona aquática no Rio de Janeiro.Gregory Bull (AP)

Agora medalhista olímpica, lembrou que o brasileiro tem dificuldades em reconhecer o esforço —e a vitória pessoal— dos atletas que não ficam entre os primeiros, que nem sempre é representada em medalhas. "Olimpíada não é só pódio", criticou, numa referência ao esforço de outra nadadora brasileira que não chegou ao pódio nesta segunda-feira: Ana Marcela Cunha, dez anos mais jovem, até então apontada como a maior esperança do Brasil para uma medalha na competição. A atleta de 24 anos, natural de Salvador, terminou em décimo, ao completar os 10km em mar aberto em 1h57min29s. Deixou o mar bastante emocionada e não conseguiu dar entrevista. Atribuiu o desempenho ao fato de não ter conseguido se hidratar no meio do trajeto, já que outra competidora esbarrou em sua bebida no posto de hidratação.

Além do treinamento, Poliana Okimoto atribuiu a volta por cima à psicóloga, que a ajudou a superar o trauma de 2012. "Londres foi uma experiência muito difícil, mas tentei deixar isso de lado... Mais uma vez chamaram de velha, diziam que eu não estava preparada.. Treinamos tanto, esperamos tanto... aí na hora não acreditamos, demoramos para a ficha cair. Eu merecia essa medalha". Merecia mesmo.