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Rio, um cruzeiro de luxo para as estrelas da NBA

Equipe de Durant, Irving e Anthony se aloja em navio fora da Vila por segurança, conforto e privacidade

Duas pessoas caminham, tendo o barco Silver Cloud, o cruzeiro dos EUA, ao fundo.
Duas pessoas caminham, tendo o barco Silver Cloud, o cruzeiro dos EUA, ao fundo.A. LACERDA (EFE)

Os quartos espartanos da Vila Olímpica onde se hospeda a maioria dos 10.000 atletas que participarão das competições no Rio de Janeiro contrastam com os luxuosos camarotes onde estão alojadas as estrelas da seleção norte-americana de basquete. Depois de passar pela burocracia do credenciamento, o time liderado por Kevin Durant, Carmelo Anthony e Kyrie Irving pegou ontem um caminho diferente daquele do demais participantes dos Jogos. Os atletas da NBA ficarão hospedados até o dia 21 de agosto no cruzeiro de luxo Silver Cloud, da empresa italiana Silversea.

A enorme embarcação, ancorada no pier Mauá, na baía da Guanabara, será a base de operações da equipe que esperar conquistar a sua sexta medalha de ouro das sete Olimpíadas realizadas desde que o COI e a NBA inauguraram uma etapa na história do basquete olímpico, em 1992.

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A entrada em ação dos melhores e mais bem pagos jogadores do mundo, encarnados, então, por um conjunto de figuras legendárias e que formaram o verdadeiro dream team, aconteceu graças à cumplicidade entre a máquina organizadora da NBA e a Federação Norte-americana de Basquete (USA Basketball). O COI estava à procura de um incremento midiático e de uma atração a mais para o seu evento quatrienal, a NBA buscava uma vitrine que lhe permitisse impulsionar sua estratégia de expansão internacional e a Federação Norte-americana precisava apagar rapidamente a lembrança das derrotas sofridas pela seleção universitária enviada aos Jogos de 1988 em Seul, onde foi derrotada pela União Soviética e pela Iugoslávia.

A diferença entre os alojamentos no Rio suscitou vários comentários irônicos no Twitter por parte de alguns atletas da NBA não norte-americanos alojados na Vila Olímpica. Os mais ativos foram os australianos. Andrew Bogut, pivô que acaba de trocar o Golden State pelo Dallas, publicou uma foto sua instalando uma cortina de banho do seu quarto na Vila. E Patty Mills, armador que será companheiro de Pau Gasol na próxima temporada em San Antonio Spurs, disse não estar nada enciumado das condições do alojamento da seleção norte-americana, com um comentário divertido: “Não, nós não gostamos de ficar presos junto com nossos companheiros de time”.

A chefe da delegação australiana, Kitty Chiller, fez uma brincadeira com os comentários dos jogadores: “(Bogut) é o homem mais adequado para colocar uma cortina de banho, já que ela fica exatamente à sua altura (2,13 metros). Terá uma cama enorme e um belo mosquiteiro. Estará na sua cama como uma princesa”.

O barco possui 196 camarotes de luxo que podem custar entre 43.000 e 60.000 reais por semana

Um executivo da organização dos Jogos explica: “O navio é a melhor maneira de garantir a segurança da seleção de basquete dos Estados Unidos. Além disso, evitará o incômodo de serem assediados por muitas pessoas pedindo autógrafo, inclusive atletas e jornalistas”.

A embarcação possui 196 camarotes de luxo que podem custar de 11.600 a 16.100 euros (de 43.000 a 60.000 reais) por semana. A área onde ele está atracado é permanentemente vigiada por 250 policiais. Dois botes da Polícia Federal patrulham as águas do píer para prevenir a navegação nas proximidades do navio de luxo.

A delegação norte-americana alojada na Vila Olímpica, integrada por mais de 500 atletas, treinadores e pessoal de apoio de suas equipes, não exibem as suas bandeiras nos terraços dos prédios por eles ocupados, como costuma fazer a maioria dos atletas. Trata-se, igualmente, de uma medida de segurança adotada em acordo com o Comitê Organizador.

Derrotas instrutivas

Desde 1992, os hotéis mais luxuosos, com rígidas medidas de segurança e de outros tipos com o objetivo de garantir um sutil isolamento de suas estrelas, têm sido usados como alternativa à Vila Olímpica para os astros das seleções de basquete dos EUA. Em Atenas, em 2004, foi usado um cruzeiro, ancorado no porto de El Piero. Os resultados da participação da equipe, apesar de ela contar com LeBron James, Tim Duncan, Carmelo Anthony e Allen Iverson, foram decepcionantes. Com as derrotas sofridas para o Porto Rico e a Argentina, ficaram apenas com a medalha de bronze.

Essas derrotas, somadas á sofrida pelos EUA dois anos depois para a Grécia no Mundial do Japão, levaram a USA Basketball e o técnico Mike Krzyzewski a adotarem uma nova linha de atuação. Fizeram um acordo com a NBA e com os jogadores com base em um plano que implicava um maior comprometimento e uma preparação bem mais intensa. A mudança foi enorme. Desde aquela derrota para a Grécia em 2006, os EUA nunca mais perderam uma partida. No Rio, a equipe espera conquistar o seu terceiro título consecutivo desde que a Argentina interrompeu provisoriamente, em 2004, a sua trajetória vitoriosa.

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