Tentativa de golpe de Estado na Turquia

Tentativa de golpe de Estado estremece as relações entre Turquia e EUA

Washington responde com contundência a Ancara e afirma que insinuar que possa estar por trás do levante é “totalmente falso” e “prejudicial”

O secretário de Estado John Kerry, na sexta-feira passada.ALEXANDER ZEMLIANICHENKO (AP) / ATLAS

As relações entre a Turquia e os Estados Unidos se tornam mais tensas à medida que as horas passam desde a tentativa de golpe de Estado da noite de sexta-feira. As insinuações do Governo de Erdogan de que os norte-americanos podem estar por trás da rebelião militar provocaram feridas na Administração de Barack Obama. John Kerry, secretário de Estado e principal responsável pelas relações internacionais, mandou uma mensagem direta às autoridades turcas: esse tipo de acusação é “totalmente falsa” e “prejudica” as relações bilaterais.

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"Kerry afirmou que os EUA estão dispostos a proporcionar ajuda às autoridades turcas que investigam o golpe, mas quaisquer insinuações ou afirmações sobre qualquer papel dos EUA no fracassado golpe de Estado são completamente falsas e prejudicam nossas relações bilaterais”, enfatizou John Kirby, porta-voz do secretário de Estado.

Essas palavras se produziram também depois que Erdogan acusou seu antigo aliado e agora inimigo Fethullah Gulen, autoexilado nos Estados Unidos, de estar por trás do golpe, o que o clérigo negou na sexta-feira em um comunicado. Diante dessa situação, o presidente turco pediu a Washington a extradição de Gulen, mas seu ministro de Relações Exteriores reconheceu que ainda não foi encaminhada uma solicitação formal.

Nesse sentido, Kerry afirmou que está disposto a “estudar” qualquer “prova legítima que embase uma averiguação” da implicação do clérigo, residente na Pensilvânia, na ação golpista. “Estou certo de que vai haver algumas discussões a respeito”, antecipou o secretário de Estado, que prometeu que tomará uma “decisão apropriada” a respeito.

Essas tensões bilaterais dificultam a atividade militar que os EUA desenvolvem a partir da Turquia, onde operam na base de Incirlik, a 110 quilômetros da fronteira com a Síria, e de onde lançam ofensivas para combater o Estado Islâmico. Os EUA suspenderam neste sábado temporariamente essas operações por causa do fechamento do espaço aéreo para aviões militares, decretado depois da fracassada tentativa de golpe.

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