Atentado em Nice

O bebê perdido em Nice que voltou à sua família graças ao Facebook

Conversamos com a mulher que localizou os parentes da criança após acolher em sua casa as pessoas que a encontraram

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Minutos depois de escutar da sua casa os disparos que abateram o motorista do caminhão usado no atentado desta quinta-feira em Nice, Joy Ruez escutou um barulho na porta do seu prédio. Essa francesa de 29 anos mora a apenas 150 metros da Promenade des Anglais, o passeio da orla marítima onde milhares de pessoas comemoravam a data nacional francesa até que o motorista de um caminhão atropelou deliberadamente a multidão. Ruez abriu a porta de casa e encontrou algumas pessoas que estavam fugindo do ataque. Entre eles havia um casal com uma criança nos braços, achada durante a correria.

Ruez conta ao EL PAÍS, numa conversa por mensagens de texto, que essas pessoas entraram na sua casa e, a partir desse momento, a principal preocupação de todos era encontrar a família da criança extraviada. “Queríamos que o bebê encontrasse seus pais. E sobretudo esperávamos que estivessem vivos.” Telefonaram para a polícia e para os serviços de emergência, que não vieram, provavelmente porque estavam envolvidos nos desdobramentos do atentado ocorrido minutos antes. Não era possível sair de casa. “Só me ocorreu publicar as fotos no Facebook para ver se alguém o reconhecia.” As duas publicações continham a seguinte mensagem: “Se alguém reconhecer este bebê ou conhecer seus pais ou alguém próximo, por favor se manifeste... Obrigado por divulgar!”.

Seus contatos, nos comentários, informaram que uma pessoa estava procurando o bebê em outra publicação do Facebook. De fato, aproximadamente uma hora antes a tia da criança havia feito na rede social um pedido de socorro para encontrá-la, e a informação se espalhou rapidamente graças aos compartilhamentos de terceiros. A publicação já foi editada depois disso, mas àquela altura dizia: “Procuramos! Perdemos um bebê de oito meses, amigos de Nice. Se o virem ou estiverem com ele, por favor me contatem neste número!!!”. A publicação foi compartilhada mais de 22.000 vezes.

RETROUVÉ !!!! MERCI INFINIMENT À CATHERINE PREUN QUI A EU LE RÉFLEXE DE PRENDRE LE PETIT POUR LE METTRE À L'ABRIS !!!!...

Gepostet von Tiava Banner am Donnerstag, 14. Juli 2016

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Joy Ruez escreveu a essa pessoa, anexando fotos do bebê. Diz que no começo hesitou em entregar a criança a desconhecidos e, para se assegurar de que eram da sua família, pediu o telefone da mãe. Mas ela não atendeu. Os pais estão no hospital junto com seus outros dois filhos, que estão feridos. “Mas quando vimos o avô chorar de alegria por vê-lo não tivemos dúvidas de que era da sua família. Estavam muito emocionados. Todos estávamos.” A jovem não sabe como está o resto da família. “Acredito que estejam bem, mas não sei, ainda não consegui falar com a mãe”, conta.

Tem consciência de que esta é uma história de alegria dentro de uma jornada sombria. “A única coisa que posso dizer é que vivemos uma noite de angústia e de medo como nunca tínhamos pensado em viver aqui em Nice”, diz.

Nesta sexta-feira, doze horas depois da catástrofe, Ruez continua sem acreditar muito bem em tudo o que aconteceu a noite anterior. “Não fizemos nada especial, era o que todo mundo deveria fazer. Foi um alívio encontrar a família.” E percebe que não chegou nem a perguntar o nome do bebê.

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