Eleições gerais

Espanha volta às urnas em busca de saída para bloqueio institucional

Cadeiras de uma dúzia de províncias determinarão mudanças em relação à votação de dezembro

Pedro Sánchez, Mariano Rajoy, Albert Rivera e Pablo Iglesias votando neste domingo uly martín / claudio álvarez / albert garcia / bernardo pérez

A repetição das eleições se tornou necessária diante da falta de acordo. As expectativas são de que algum dos quatro grandes partidos terá de sair do caminho que está seguindo e apagar as “linhas vermelhas” que delimitam suas posições para que haja, finalmente, um Governo. Depois de mais de seis meses sem que se aprove nenhuma lei no Parlamento, com um Executivo interino de poderes limitados e uma impressão de campanha eleitoral permanente, os eleitores voltam neste domingo às urnas. O bipartidarismo, entendido como alternância entre o centro-esquerdista Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e o conservador Partido Popular (PP), morreu nas eleições de dezembro, porque o esquerdista Podemos e o Ciudadanos, de centro-direita, irromperam até fragmentar o Congresso e iniciar uma era política que não se concretizou na formação de um novo Governo. A maioria de 176 das 350 cadeiras parlamentares é um objetivo distante para todos, o novo não chega de vez e o anterior resiste.

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Apesar da mudança histórica que havia sido anunciada, Mariano Rajoy continua sendo o chefe de Governo, embora interinamente. Ele foi o mais votado em dezembro e recusou a proposta do Rei para tentar formar um Governo. Agora, aspira à sua terceira vitória eleitoral, procurando superar 30% dos votos. Mas admite a impossibilidade de governar sozinho, tanto que sua principal mensagem é o pedido de uma grande coalizão com o PSOE e o Ciudadanos. Apesar dessa possível vitória, existe a possibilidade de que Rajoy se afaste para facilitar um acordo, já que o presidente do Ciudadanos, Albert Rivera, condicionou o pacto à sua retirada.

A grande novidade em relação a dezembro é a chapa que une o Podemos e a Esquerda Unida (UI). Os dois partidos, juntos, já superaram em votos o PSOE − e agora pretendem superá-lo também em cadeiras no Parlamento como Unidos Podemos. Seria uma reviravolta na democracia espanhola, com uma mudança na posição dominante e hegemônica da esquerda. O PSOE, o partido que mais anos governou na Espanha desde 1978, passaria a ser a terceira força política.

Batalha pelas sobras

A chapa liderada por Pablo Iglesias quer converter em cadeiras parlamentares os votos que foram para a Esquerda Unida e, por causa do sistema de divisão de deputados da lei eleitoral, não se traduziram em assentos. A presença da nova chapa visa a alterar a divisão das cadeiras que restam e disputar assentos em uma dúzia de províncias, por um punhado de votos. A estratégia eleitoral de Iglesias foi a de não entrar em confronto com o PSOE, porque só com o apoio dos socialistas ele terá condições de governar.

O PSOE procura resistir. Suas 90 cadeiras de dezembro já eram o pior resultado de sua história, e hoje o líder do partido, Pedro Sánchez, enfrenta uma nova prova de sobrevivência política. Nos quatro meses de bloqueio, ele tentou acertar um acordo com o Ciudadanos para ser primeiro-ministro sem incluir os extremos, PP e Podemos. Não deu certo. Agora ele não revelou suas preferências de pacto, mas já deu a entender que nunca fará um acordo com o PP, não é fácil que faça isso com o Podemos, menos ainda em condições de inferioridade, e é mais provável que volte a tentar o que não deu certo em março. O Ciudadanos espera ser determinante com o PP ou o PSOE, e todos asseguram que não haverá uma terceira eleição − assim como tinham dito que não haveria uma segunda.