Cabelo real ou peruca, Mr. Trump?

Um complexo sistema de engenharia capilar parece sustentar a franja do candidato republicano

Donald Trump, em janeiro, em Iowa.
Donald Trump, em janeiro, em Iowa.Christopher Furlong (Getty)

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As perguntas sobre o cabelo multidirecional, que parece se mover de forma independente do couro cabeludo, do milionário falastrão, estrela de reality show metido a político populista, não são novas. Ele sempre garantiu que o cabelo é dele: disse à Rolling Stone que ele mesmo lava, que demora uma hora para secar no ar e que penteia com um pente, nunca para a frente para tentar cobrir a calvície que insiste que não sofre. Inclusive chegou a levantar a franja em várias ocasiões para demonstrar que não usa peruca.

Trump garante que o cabelo é dele, que ele mesmo lava e que leva cerca de uma hora para secar no ar

Agora a repórter Feinberg propõe uma teoria alternativa: por trás da indomável e absurda cabeleira está um tratamento de restauração capilar conhecido como "intervenção microcilíndrica", que só é feito em uma clínica, a Ivari International, cuja sede em Nova York fica localizada no 25º andar da Trump Tower, o mesmo lugar onde se encontra o escritório pessoal do magnata.

Edward Ivari, também conhecido como Mohammad Ali Ivari, se apresenta em seu site como um doutor, mas não tem qualquer título. Possui, isso sim, a patente de um complexo sistema de extensões que permite dar mais volume e consistência ao cabelo. Em 2007, essa "intervenção microcilíndrica" custava o equivalente a 205.000 reais, e a manutenção recomendada a cada seis semanas variava entre 1.000 e 10.000 reais. O novo cabelo fica amarrado ao do cliente, formando uma espécie de teia de aranha à prova de puxões. A técnica de microcilindros é uma explicação plausível para o efeito singular que o vento tem na cabeleira de Trump, e para que um homem de 69 anos possa cobrir várias vezes sua cabeça com seu cabelo.

Ivari tem empresas com vários nomes, todas dedicadas a questões capilares e fechadas ao público atualmente. Em seu histórico de processos, há um caso de 2009 em que ele foi acusado de operações altamente suspeitas e ilegais nos EUA e no Oriente Médio.

A rigorosa investigação jornalística de Feinberg tem despertado a admiração de colegas como David Simon (roteirista de The Wire), que saudou a reportagem dizendo que, se esse trabalho tivesse sido realizado sobre as alegadas armas de destruição em massa que Saddam escondia, os EUA não teriam entrado na guerra do Iraque. No entanto, essa história também rendeu uma ação contra o Gawker, que nessa mesma semana declarou falência depois de perder um processo milionário contra Hulk Hogan, um lutador profissional. Mas os problemas do Gawker apontam diretamente para Peter Thiel, fundador do Paypal que financiou o processo de Hogan. Seu advogado é o mesmo que agora faz ameaças devido às teorias sobre a peruca de Trump.