Atentado em Tel Aviv

Israel anuncia medidas “ofensivas” depois do atentado em Tel Aviv

O Governo de Netanyahu anula 83.000 autorizações de viagem para palestinos para o Ramadã

Netanyahu em Moscou. GETTY / QUALITY

O primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, convocou nesta quinta-feira uma reunião de emergência do gabinete de segurança do Governo de Israel em resposta ao atentado perpetrado por dois palestinos em Tel Aviv na noite de quarta-feira, dia 8 de junho, no qual morreram quatro pessoas e outras 16 ficaram feridas, cinco em estado grave. Netanyahu anunciou que tomará medidas “ofensivas e defensivas”. O Exército anulou todas as autorizações de viagem, especialmente para quem iria à mesquita de Al Aqsa, em Jerusalém, concedidas a cerca de 83.000 palestinos para o Ramadã. As autorizações para visitar familiares em Israel e para rezar na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém saindo da Cisjordância e da Faixa de Gaza também foram canceladas.

O Exército israelense decidiu reforçar sua presença no território ocupado da Cisjordânia com o envio de dois batalhões para as divisões da Judeia e da Samaria. As Forças Armadas não especificaram quantos soldados compõem cada batalhão, apesar de se estimar que sejam várias centenas.

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Unidades militares cercaram de madrugada a localidade de Yatta, situada no sul de Hebron (Cisjordânia), de onde procediam os dois primos palestinos de 21 anos que perpetraram o ataque armado em um restaurante do mercado de Sarona, uma região de lazer de luxo em frente às sedes do Ministério da Defesa e do Estado Maior das Forças Armadas de Tel Aviv. Os soldados tomaram medidas para a urgente demolição das casas dos agressores, para o caso de as autoridades aprovarem a medida punitiva, o que é habitual nos casos de atentados com vítimas. Os dois agressores foram presos. Um deles foi ferido por um segurança e o outro foi dominado pelas forças de segurança quando fugia no exterior do restaurante-pastelaria Brenner, onde começou o tiroteio. Ambos tinham ido à chocolateria vestidos com paletó e gravata. “Comportavam-se como clientes normais. De repente começaram a disparar e o pânico se espalhou”, relatou à imprensa israelense o gerente do estabelecimento.

“Houve assassinatos a sangue frio por terroristas desumanos”, declarou em Tel Aviv o primeiro ministro, acompanhado do ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, e do titular de Segurança Pública, Gilad Erdan, ao voltar de uma viagem oficial à Rússia na noite de quarta-feira. Netanyahu disse, após uma reunião, que foram adotadas medidas “ofensivas e defensivas” depois do atentado, sem dar maiores detalhes. Membros de seu Governo se mostram divididos quanto à atitude a ser adotada. Os setores mais radicais, como o representado pelo ministro do Transporte, Ysrael Katz, consideram que o atentado “deve ter uma resposta extraordinária”, em referência a um longo bloqueio do povoado dos atacantes.

Ministros mais moderados, como o titular da Habitação, Yoav Galant, recomendam “agir com extrema cautela” para evitar uma escalada da violência.

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), a cuja organização estudantil pertenciam os dois jovens de Hebron, se desvinculou do ataque e afirmou que se tratava de “uma ação de caráter individual”, apesar de ter qualificado os fatos de “resposta natural” às violações cometidas pelas forças israelenses na ocupação. O movimento islâmico Hamás, que controla a Faixa de Gaza, afirmou “comemorar” o ataque armado que causou quatro mortos e 16 feridos entre a população civil israelense, mas não atribuiu a autoria a membros de sua organização.

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