Guerra Civil na Síria

Vários atentados do Estado Islâmico deixam centena de mortos na Síria

Pelo menos sete bombas explodem em ataques simultâneos em cidades controladas por Bashar al-Assad

Uma centena de mortos em vários atentados do EI na Síria. (atlas)

Uma série de atentados terroristas na segunda-feira causou pelo menos 78 mortos e mais de uma centena de feridos nas cidades litorâneas sírias de Lataquia e Tartus. O Estado Islâmico reivindicou pouco depois a autoria dos ataques, os piores sofridos por esse bastião alauita, controlado pelo regime de Bashar al-Assad desde o começo do conflito. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos fala em 101 vítimas, o ataque terrorista mais sangrento desde a assinatura de um cessar-fogo parcial entre os lados em 27 de fevereiro em Genebra, com a mediação da ONU.

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O ataque de Tartus aconteceu às 9h30 da manhã (3h30 de Brasília) no terminal de ônibus central, localizado na entrada da cidade. A primeira explosão de um carro-bomba foi seguida por outras duas provocadas por suicidas, que causaram mais vítimas entre os que tentavam socorrer os feridos. “Existem 38 mortos e restos de pelo menos mais três pessoas. Recebemos 45 feridos”, informou por telefone o responsável pela comunicação em Tartus.

O atentado causou a morte de várias crianças e jovens, que se dirigiam aos colégios e universidades em época de exames. “Estávamos chegando à estação e ouvimos as explosões, de modo que nosso ônibus deu meia volta”, explica de Tartus também por telefone Maruan G., estudante de direito de 20 anos, que vive em uma cidade próxima. A televisão estatal síria mostrou ininterruptamente imagens de carros e ônibus calcinados no local do ataque. Por sua parte, fontes internas de segurança sírias afirmaram ao EL PAÍS que prenderam um quarto suicida cujo cinturão de explosivos não detonou. A página do Facebook Tartous2day publicou um vídeo no qual dois soldados sírios colocam dentro de um veículo o suspeito e suposto terrorista sangrando pelo nariz.

É o primeiro ataque terrorista sofrido em Tartus, região majoritariamente alauita e a única que permaneceu fora dos combates em uma guerra que entra em seu sexto ano. Tartus, entretanto, que possui uma população de 100.000 habitantes, é conhecida como a cidade dos mártires, por ser a que mais contribuiu com soldados às fileiras do Exército sírio com 5.500 mortos em combate.

Outro atentado triplo ocorreu quase simultaneamente na cidade de Jeble, e causou pelo menos 45 mortos e dezenas de feridos segundo a Sana, a agência nacional de notícias síria. Nessa localidade litorânea situada a 25 quilômetros ao sul de Lataquia, região alauita de onde é originária a família de Al-Assad, dois carros-bomba explodiram simultaneamente; um no terminal de ônibus e outro em uma central elétrica próxima. No terceiro ataque, um suicida se explodiu com um cinturão de bombas dentro do hospital nacional. “Não podemos fornecer números oficiais porque existem feridos em estado muito grave e vários já morreram”, afirma de Jeble Abed Al Rahim, responsável pela imprensa do município de Lataquia. Imagens publicadas pela página do Facebook da cidade de Jeble mostram poças de sangue entre restos de material médico.

Em setembro, um atentado com carro-bomba causou 10 mortos no centro da cidade de Lataquia. A maior cidade litorânea do país, com 1,5 milhão de habitantes, abriga também outro 1,5 milhão de refugiados, a maioria vinda de Aleppo. O ataque ocorreu após a Frente da Conquista (coalizão que abriga desde fações rebeldes moderadas a jihadistas da Al Qaeda) tomar o controle da estratégica localidade de Jisr al-Shughur em abril de 2015, ao norte de Lataquia, posicionando-se pela primeira vez às portas do bastião litorâneo alauita.

Após o aumento dos conflitos armados no país – há alguns dias vários atentados mataram 140 pessoas –, e especialmente na região de Aleppo, o acordo de um cessar-fogo está por um fio. A Frente al-Nusra, ramo local da Al Qaeda, e o EI foram excluídos da trégua que, segundo o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, se mantém em vigor em 55% do território disputado entre rebeldes e tropas regulares sírias.