Eleições na Espanha

Mais eleitores ficarão em casa nas próximas eleições da Espanha

Pesquisa da Metroscopia elaborada para o EL PAÍS prevê que irão às urnas 70% dos eleitores O PP se mantém como primeira força

O multipartidarismo não foi um fenômeno passageiro de 20 de dezembro. Continua sendo a opção preferida dos eleitores, como reflete a pesquisa da Metroscopia.

O diabo, porém, está nos detalhes. O fastio decorrente de três longos meses de reuniões, propostas, contrapropostas, grosserias e fotos vazias de conteúdo indica que em 26 de junho aumentará o número de eleitores que decidirá ficar em casa.

Mais informações

Uma menor participação (até três pontos menos), um eleitorado do PP que se mantém fiel e não o castiga, a ideia consolidada entre o total dos consultados de que Pedro Sánchez é o principal culpado de que não haja Governo, a erosão da figura de Pablo Iglesias e o reforço da imagem pública de Albert Rivera e Alberto Garzón, todos esses fatores somados podem provocar mudanças significativas em relação aos resultados de 20 de dezembro.

O Partido Popular continua sendo a legenda mais votada. Obtém o apoio de 29%, três décimos mais que em dezembro. Seu eleitorado se mantém fiel e predisposto a lhe dar novo respaldo. No total, 84% dos eleitores que votaram no PP em dezembro dizem que repetiriam hoje seu voto.

Essa fidelidade é nove pontos superior à dos eleitores do PSOE e do Cidadãos, e está 11 acima no caso do Podemos.

Esforço sem recompensa

Pedro Sánchez não conseguiu que seus eleitores premiassem os esforços empregados durante este tempo para construir uma opção de Governo. Mais parece que sua opção inicial de estabelecer uma aliança hermética com o Cidadãos, que bloqueou qualquer possibilidade de crescer pela esquerda ou pela direita, não foi entendida nem apreciada. Mantém-se como segunda legenda mais votada, mas, com 20,3% dos votos, perde quase dois pontos em relação a seu resultado em dezembro.

O Podemos continua distante da pretendida ultrapassagem dos socialistas, sua aspiração de tornar-se a força hegemônica da esquerda. A pesquisa lhe outorga apoio de 18,1%, mais de dois pontos abaixo dos que obteve nas últimas eleições. Um de cada cinco eleitores que votaram em Pablo Iglesias na época diz agora que sua intenção é dar seu voto a outra formação política (a maioria deles à IU). Tudo pode mudar, no entanto, se vingar finalmente a vontade do Podemos e da Esquerda Unida de se apresentarem às urnas em coalizão.

Albert Rivera, ao contrário de Sánchez, vê premiados seus esforços para dar impulso a um acordo de Governo. O pacto alcançado com o PSOE serviu para reforçar a ideia de centralidade do Cidadãos. Distancia-se de sua imagem anterior às eleições de dezembro, a de uma marca branca do PP, ao ter demonstrado sua capacidade para entender-se com os dois flancos ideológicos. Mantém-se como terceira força, mas, com um respaldo de 16,9%, sobe três pontos em relação ao que obteve em dezembro.

Paradoxalmente, quem enfrenta agora um delicado dilema é o líder da IU, Alberto Garzón. Os eleitores premiam sua atitude durante os últimos meses e dobram o apoio à sigla (de 3,7% dos votos há quatro meses passariam agora a 6,6%). A marca do partido é reforçada justo quando estuda unir esforços com a formação de Iglesias.

Multipartidarismo matizado

Se na última eleição surgiu um cenário com quatro forças principais a pouca distância entre si (o PP foi o partido mais votado, distante 6,7 e 8 pontos, respectivamente, do segundo e do terceiro), o 26 de junho sugere um novo modelo: um multipartidarismo com um partido em destaque.

A capacidade de resistência do Partido Popular, aliada a uma menor participação, faz com que sua posição predominante em relação às demais legendas seja superior. Rajoy não cresce em apoio, mas mantém um piso que o torna forte, e que lhe serve para reafirmar sua convicção, expressa desde o princípio, de que não fazer nada lhe dava vantagem.

O BLOQUEIO AFETA TODOS OS LÍDERES

Nenhum líder político sai ileso deste longo tempo de bloqueio. Embora em distinta medida, todos sofrem um desgaste de sua liderança entre o conjunto do eleitorado e, o que é mais significativo, entre os eleitores de seu próprio partido.

O mais bem-avaliado continua sendo Albert Rivera, mas seu saldo evolutivo (a diferença entre os que o aprovam e os que o desaprovam) é de três pontos positivos em relação aos 17 de outubro passado.

Os demais têm saldo negativo. Entre eles, o mais bem posicionado é Alberto Garzón. Pedro Sánchez tem saldo de 37 pontos negativos. Rajoy e Iglesias, com 50 e 51 pontos negativos respectivamente, são os líderes pior avaliados.