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Sequestro de avião da EgyptAir

Homem sequestra avião no Egito, mas libera reféns e é preso após horas de tensão

O sequestrador, que alegou que queria falar com a ex-mulher, sequestrou um avião da EgyptAir

Um avião Airbus 320 da companhia Egyptair que viajava de Alexandria para o Cairo foi sequestrado na manhã de terça-feira (madrugada no Brasil) com ao menos 56 passageiros a bordo. O sequestrador, que ameaçou acionar um cinturão de explosivos, ordenou aos pilotos que desviassem a aeronave para o aeroporto internacional de Larnaca, em Chipre. Após aterrissar e negociar com funcionários da companhia aérea egípcia, o indivíduo, identificado como Seif al Din Mustafa pelos Governos do Chipre e do Egito, aceitou libertar todos os passageiros de nacionalidade egípcia, mas alguns cidadãos estrangeiros e tripulantes permaneciam como reféns. Após três horas de tensão, o Governo do Chipre confirmou que o sequestrador foi preso e as vítimas foram soltas.

O sequestrador pediu às autoridades para falar com sua ex-mulher, uma cipriota que vive atualmente em um povoado próximo do aeroporto, segundo a agência de notícias AFP. Várias testemunhas confirmaram que o sequestrador deixou cair uma carta em árabe, provavelmente dirigida à ex-mulher. O aeroporto de Larnaca foi fechado ao tráfego enquanto a crise não se resolve.

“As negociações com o sequestrador resultaram na libertação de todos os passageiros, exceto a tripulação e quatro estrangeiros”, dizia uma nota publicada pouco antes das 9h (4h em Brasília) na conta oficial da Egyptair no Twitter. O ministério egípcio da Aviação Civil detalhou posteriormente que ainda há quatro tripulantes e três passageiros estrangeiros retidos. A rádio pública de Chipre informou que o sequestrador solicitou asilo nessa ilha mediterrânea.

Entre os passageiros do avião sequestrado havia 21 estrangeiros, segundo comunicado egípcio da Aviação, incluindo oito norte-americanos, quatro britânicos, quatro holandeses, dois belgas e um francês. A aeronave decolou pouco depois das 7h30 (hora local, 2h30 em Brasília), e seu percurso devia ser curto, pois apenas 200 quilômetros separam as duas principais cidades egípcias. Minutos antes das 9h, estava pousando em Larnaca.

Num primeiro momento, temeu-se que o sequestro fosse uma ação realizada por algum grupo jihadista. Desde o golpe de Estado de 2013, o Egito enfrenta uma tenaz insurgência islâmica, composta por diversos grupos, entre eles o Wilaya Sina, filial egípcia do autointitulado Estado Islâmico. Essa facção, que já cometeu dezenas de atentados no país, reivindicou o ataque contra um avião civil russo em outubro, na península do Sinai, no qual morreram as 224 pessoas a bordo, a grande maioria turistas russos.

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Durante meses, o Governo egípcio se negou a abonar a tese, apresentada pelos serviços de inteligência norte-americanos e russos, de que a causa da queda havia sido um atentado, e insistia em manter abertas todas as hipóteses, incluindo um acidente. No entanto, em um discurso pela televisão no mês passado, o próprio presidente do Egito, marechal Abdelfattah al Sisi, reconheceu finalmente que a aeronave foi abatida. Várias companhias internacionais cancelaram seus voos para a cidade balneária de Sharm el Sheikh, de onde decolou o avião derrubado, por causa das dúvidas sobre as medidas de segurança nesse aeroporto. A decisão representou um duro golpe para o setor turístico, um dos pilares da economia do país.

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