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Primárias dos EUA chegam a momento crucial nesta terça em meio a clima tenso

Votações prévias ocorrem em meio à escalada da violência entre os que são contra e os a favor de Trump

O candidato republicano Donald Trump, nesta segunda-feira.
O candidato republicano Donald Trump, nesta segunda-feira. Sean Rayford (AFP)

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As eleições primárias que definem os candidatos presidenciais dos Estados Unidos, e que acontecem nesta terça-feira em cinco Estados (Flórida, Illinois, Missouri, Carolina do Norte e Ohio), chegam a um momento decisivo num ambiente de tensão após os últimos incidentes em comícios de Donald Trump, que na sexta-feira passada suspendeu um ato de campanha em Chicago por causa do confronto violento entre seus simpatizantes e vários grupos que protestavam contra o magnata. Os incendiários pronunciamentos do showman reviraram os alicerces de uma sociedade que se fraturou entre partidários e detratores de Trump.

Desde que anunciou sua candidatura e iniciou seus ataques aos imigrantes, os protestos acompanham Trump em todos os seus eventos. Quase sempre eram grupos de hispânicos que recriminavam sua intenção de expulsar do país os 11 milhões de imigrantes irregulares e construir um muro na fronteira com o México, um país que coloca diariamente no alvo dos seus discursos. Nas últimas semanas, à medida que Trump foi se consolidando nas primárias e caucus (assembleias eletivas) como o candidato com mais chances de obter a indicação republicana, a tensão disparou.

As cenas violentas da sexta-feira em Chicago fizeram soar os alarmes. Todos os aspirantes presidenciais, democratas e republicanos, apontaram Trump como o responsável por este episódio, ao polarizar a sociedade com seus discursos maniqueístas, nos quais não cabem matizes. Os pré-candidatos democratas, Hillary Clinton e o senador Bernie Sanders, acusaram-no diretamente de incitar à violência. O republicano Marco Rubio, senador pela Flórida, também declarou que os incidentes de Chicago estão relacionados à dialética do magnata.

Trump se faz de surdo ao coro de vozes que o apontam como responsável pelos atos violentos

Trump vem se fazendo de surdo ao coro de vozes que o apontam como responsável por acender um pavio perigoso, com consequências imprevisíveis. Ele citou apoiadores de Bernie Sanders, que se declara socialista, como instigadores dos protestos.

Conforme sua campanha antecipou, as medidas de segurança nos comícios de Trump foram reforçadas, e já é habitual que todos os participantes passem por detectores de metais, como nos aeroportos, enquanto a polícia e o serviço secreto revistam seus pertences. Além disso, o serviço de segurança particular de Trump está atento a qualquer movimento dentro dos comícios. No domingo, num encontro com eleitores em Boca Raton (Flórida), os grupos contrários a Trump se manifestaram nos arredores do auditório onde o evento acontecia. No final, houve um momento de tensão com os simpatizantes de Trump, mas sem agressões físicas.

O magnata pretendia fazer um comício no clube da sua propriedade em Doral, uma cidade de maioria hispânica no condado de Miami-Dade, mas acabou trocando isso por um ato em Ohio, onde o governador John Kasich aposta sua última cartada para permanecer na corrida presidencial republicana. As pesquisas nesse Estado do Meio-Oeste dão uma ligeira vantagem a Kasich sobre Trump, ao passo que na Flórida há uma cômoda vantagem para o empresário. Se vencer na Flórida e em Ohio, Trump provavelmente conseguiria afastar da disputa republicana os dois aspirantes mais bem vistos pelo establishment republicano, Rubio e Kasich. A disputa se transformaria então num mano a mano entre Trump e o senador Ted Cruz, do Texas, outro aspirante com discurso radical. Nesta terça-feira há votação também em Illinois, Missouri e Carolina do Norte.

No lado democrata, Hillary Clinton tem chances de ampliar sua vantagem sobre Sanders, principalmente na Flórida e Carolina do Norte, onde a ex-secretária de Estado tem uma ampla vantagem nas pesquisas.

Tanto Hillary Clinton quanto Donald Trump lideram as pesquisas em quatro dos cinco Estados onde acontecem as primárias nesta terça-feira. Democratas e Republicanos consideram principalmente a Flórida como crucial, já que o Estado tem um dos maiores contingentes de delegados dos Estados Unidos.