Crise na Síria

Rússia afirma que o mundo se aproxima de uma nova guerra fria

Kerry pede a Moscou que cesse os bombardeios contra civis e opositores de Assad

Lennart Preiss (Getty Images) | VÍDEO : REUTERS-QUALITY (reuters_live)

A deterioração das relações entre Rússia e o Ocidente propiciadas por crises como a da Síria e da Ucrânia se agrava a ponto de o primeiro ministro Dimitri Medvedev alertar quanto a um cenário cada vez mais parecido ao da guerra fria, que dividiu o mundo durante a segunda metade do século XX. “A política da OTAN em relação à Rússia é pouco amistosa e teimosa. Para ser sincero, estamos nos movendo rapidamente a um período de uma nova guerra fria”, afirmou Medvedev no sábado. O primeiro ministro acrescentou que se sente confuso já que, segundo ele, às vezes não sabe se está vivendo “em 2016 ou em 1962”.

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O duro discurso pronunciado por Medvedev em Munique —onde se realiza no fim de semana de 13 e 14 de fevereiro a Conferência de Segurança que reúne cerca de cem chefes de Estado, de Governo e ministros— foi uma resposta às recriminações em relação a Moscou feitas por boa parte dos líderes ocidentais que participam do mesmo fórum. “A imensa maioria dos bombardeios russos são dirigidos contra grupos legítimos de oposição. Esta situação deve mudar”, disse o secretário de Estado dos EUA, John Kerry.

“Todos sabemos que, para voltar ao caminho da paz, os bombardeios russos contra civis devem acabar”, disse o primeiro ministro francês, Manuel Valls. Seu colega russo, que participava do mesmo debate que Valls, negou a afirmação. “Apesar de todos estarem nos acusando disso, não há qualquer evidência de estarmos bombardeando civis. Simplesmente é mentira”, disse Medvedev, um comentário que surpreendeu vários dos presentes.

Medvedev já havia colocado lenha na fogueira antes de chegar a Munique. Em plena negociação de paz na Síria —que na madrugada de sexta-feira acenou com um frágil cessar-fogo para a próxima semana—, o primeiro ministro russo tinha alertado em uma entrevista ao periódico alemão Handelsblatt quanto aos riscos de se cair em uma “guerra permanente” ou até mundial se não se buscasse uma solução para o conflito sírio. Em seu discurso de sábado, Medvedev pediu um compromisso para aumentar a cooperação militar —disse que o Estado Islâmico deve estar agradecido ao Ocidente por não ter querido cooperar—, lutar contra o terrorismo e impedir a desintegração da Síria.

Apesar dos grandes desafios enfrentados no mundo atualmente, Kerry quis ser otimista em seu discurso em Munique. O chefe da diplomacia norte-americana acredita que agora abriu-se a possibilidade de conter a guerra na Síria. “Espero que esta semana seja de esperança. Este é o momento. As decisões dos próximos dias e semanas podem acabar com a guerra na Síria”, afirmou.

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