crise na venezuela

Venezuela interromperá o fornecimento de energia em centros comerciais

O fornecimento de energia elétrica será interrompido em dois períodos devido à seca prolongada

Empregado atrás da porta de uma loja fechada em Caracas, onde um cartaz avisa: “Não há luz”.
Empregado atrás da porta de uma loja fechada em Caracas, onde um cartaz avisa: “Não há luz”.AFP

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A crise de energia na Venezuela ameaça causar ainda mais problemas à combalida economia nacional. O Ministério da Energia Elétrica informou os centros comerciais que, a partir de quarta-feira, o primeiro dia útil depois do feriado de Carnaval, interromperá o fornecimento de energia elétrica entre 13h e 15h e entre 19h e 21h, de segunda a sexta-feira, devido à seca prolongada causada pelo fenômeno climático conhecido como El Niño. Mais um obstáculo para uma economia açoitada pela crise.

Em resposta a essa medida, a Cavececo (Câmara Venezuelana de Centros Comerciais) emitiu uma declaração em que propõe ao Governo trabalhar entre 12h e 19h para evitar a suspensão do trabalho em farmácias, supermercados e bancos localizados nos centros comerciais. As autoridades venezuelanas foram informadas da proposta, mas ainda não deram resposta. Enquanto esperam, os principais centros comerciais de Caracas anunciaram que a partir de quarta-feira trabalharão entre 15h e 19h.

O Centro Comercial El Recreo, localizado no Bulevar de Sabana Grande, uma das principais áreas centrais da capital venezuelana, não permitirá a entrada de veículos no estacionamento — que serve como um refúgio em uma região onde não há lugar para estacionar e predomina a delinquência — durante as horas do racionamento e depois das 18h. Também suspenderá a operação de elevadores e escadas rolantes durante as horas de pico e durante a noite.

Tal como foi pensada, a medida afetaria os funcionários que aproveitam a pausa do almoço e as primeiras horas da noite para comprar os escassos produtos básicos. O impacto sobre restaurantes e lanchonetes ainda não foi contabilizado e é um dos argumentos dos afetados pela medida para buscar uma decisão menos drástica. Com o horário proposto pelo Governo haveria uma redução de quatro horas da jornada de trabalho diária para a maioria das 500.000 pessoas que trabalham em empresas que operam nesses lugares.

Crise e seca

Por estas razões a Cavececo também acrescenta que a demanda de seus membros não excede 3% do consumo nacional, e que em 2009, também no meio de uma seca cruel, conseguiram reduzir o consumo em 20%. “Hoje os centros comerciais consomem 10%”, dizem no comunicado.

A crise dos centros comerciais é resultado da soma das contrariedades da natureza e da incapacidade de se antecipar a essa crise. Setenta por cento da energia consumida no país é produzida por via hidrelétrica e é encaminhada para instalações cuja manutenção é deficiente. A seca provocada pelo El Niño levou, segundo o ministro de Ecossocialismo e Águas, Ernesto Paiva, a que os 18 principais reservatórios do país estejam muito perto de atingir seu nível crítico.

Além disso, na era chavista o desinvestimento foi particularmente acentuado. Algumas empresas privadas que controlaram parte de geração de energia até 2007, quando o presidente Hugo Chávez nacionalizou o sistema, não investiram no negócio porque o Governo manteve as tarifas congeladas. Quando — entre 2009 e 2010 — o aumento da demanda e um ataque anterior do El Niño evidenciaram a necessidade de novos investimentos, o governo chavista declarou emergência elétrica para adquirir unidades de geração de energia térmica. Ao longo dos anos, escândalos de corrupção associados a essas aquisições vieram à tona.

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