Desastre de Mariana

Diretores da Samarco serão indiciados por mortes na tragédia de Mariana

Polícia Civil ainda vai definir se o crime será enquadrado como doloso ou culposo. Ao todo, 17 morreram

Homem carrega caixão de Emanuele, 5, vítima da tragédia.
Homem carrega caixão de Emanuele, 5, vítima da tragédia.RICARDO MORAES (REUTERS)

No dia em que a tragédia de Mariana completou três meses, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que irá indiciar criminalmente diretores e membros da mineradora Samarco pelas mortes causadas pelo rompimento da barragem de Fundão. Até o momento, 17 corpos foram resgatados da lama na região de Mariana e outros dois ainda não foram localizados. Essa foi a primeira vez que a polícia falou oficialmente em crime no caso de Mariana e não de acidente.

Segundo o delegado Rodrigo Bustamante, responsável pelo inquérito que apura o desastre causado pela barragem da Samarco, a modalidade do crime ainda será definida: doloso (quando há intenção de matar) dolo eventual (quando não há a intenção, mas assume-se o risco) ou culposo (sem intenção). Bustamante não citou nomes nem a quantidade de pessoas que serão indiciadas.

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Nesta sexta-feira, mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas sedes da Samarco em Belo Horizonte e em Mariana para recolher materiais e dados dos envolvidos na investigação. Foram copiados e-mails, trocas de mensagem e documentos da empresa, como os balanços financeiros. O delegado quer saber se os diretores sabiam do risco iminente do rompimento da barragem, de onde vazaram 32,5 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro. A documentação apreendida também ajudará a polícia a descobrir se instrumentos de controle da pressão da água no solo estavam funcionando adequadamente. A análise do material recolhido deve ficar pronta em uma semana, segundo Bustamante.

Após a operação, a Samarco afirmou que considera a medida desnecessária já que respondeu a todos os ofícios e requisições das autoridades e tem uma política rigorosa de preservação de suas informações.

A polícia tem até o dia 15 de fevereiro para concluir o inquérito ou pedir nova dilação de prazo à Justiça. Mais de 80 pessoas foram ouvidas, entre elas o ex-presidente da mineradora, Ricardo Vescovi, que pediu licença do cargo para cuidar da defesa em outra investigação. Ele e outros diretores da Samarco já foram indiciados pela Polícia Federal no processo que investiga crimes ambientais, além da própria mineradora e uma de suas controladoras, a Vale.

A polícia apura também a tese do crime continuado no caso do dano ambiental, já que ainda após a tragédia, os rejeitos despejados continuam poluindo o rio Doce. O rompimento da barragem, considerado o pior desastre ambiental da história do Brasil, gerou uma tsunami de lama de rejeitos que atingiu mais de 40 cidades de Minas Gerais e Espírito Santo.

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